segunda-feira, julho 04, 2016

A RAZAR O ZÉNITE ..


Desintegram-se as palavras e todas as caligrafias
E o sentido em que se arrumam. Poalha
E redemoinho de uma galáxia nova
Fluindo sem estrutura ainda
Promessa apenas.
 
Ou nuvem que arrebatadora se insinua
Qual flor liberta que se inaugura na cor
Em que arde.
Ponto-queda
Ou nova dança
Ou poema
A germinar
Por dentro.

Inaugural o discurso
Que se alimenta dos abismos.
E dos espaços abertos.
E se rompe
E se inventa.

E livre explode.
E que devora
Em espasmos de infinito
A tocar o nada.
E a rasar o zénite

Manuel Veiga



 

 

10 comentários:

Graça Pires disse...

"Ponto-queda
Ou nova dança
Ou poema
A germinar
Por dentro."
E rasgamos no peito uma permanente fuga. Como se fosse um bailado e "a Sagração da Primavera" nos trouxesse a mais íntima estratégia do amor...
Um poema muito belo, meu Amigo. Um vídeo espantoso.
Um beijo meu.

AFRODITE disse...

A Primavera traz o germinar no ventre, traz o fruto que o verão colherá.
É o recomeçar de tudo... e não o fim (e esse recomeçar eu li no teu poema).
Por isso nunca consegui entender este bailado «A sagração da Primavera» já que ele não fala de vida e de recomeços... mas encerra com uma morte como oferenda...

Curiosa a cor do vestido... fez-me lembrar um cravo vermelho.

Beijinhos a olhar em direcção das estrelas
(^^)

Suzete Brainer disse...

Este belíssimo poema na sua excelência estrutural e
na inspiração sublime, expressa uma quebra de paradigma
no sentido do curso das palavras, pois vai além,
inaugura um novo espaço expressivo e transcendente de
beleza e significados (de um infinito) no seu apogeu
de encantos de sentires!...

O vídeo é sensacional!

Parabéns pelo poema, meu amigo!
Beijo.

Mar Arável disse...

Tens uma bela relação com as palavras
e eu que te leio em voz alta
só posso fazer o que faço
abraço-te poeta e meu amigo

Majo Dutra disse...

Ofereces a apreciação de duas belíssimas obras de arte:
o teu poema e Strawinsky coreografado por Pina Bausch,
narrando de forma supremamente brilhante o sacrifício
humano em honra dos deuses...

Seduz-me sobremaneira o teu poema que celebra o júbilo
da criação poética, numa fulgurante apoteose inaugural
com um clímax de plenitude, a razar o zénite...

Agradeço a excelente postagem.
Beijo, Poeta amigo.
~~~~~~~~~~

jorge esteves disse...

Do ponto primordial para a queda de todos os sentidos.
Seja, então, assim amigo.
abraço!

Fê blue bird disse...

Emocionei-me ao ler o teu poema, talvez seja esta a melhor definição que consigo.

Um beijinho

deep disse...

Belo. :) Beijo

José Carlos Sant Anna disse...

Que bela dicção, Manuel. O quanto ela corresponde a um processo cognitivo revelando a força do poema (das palavras) a germinar por dentro.
Que bela reflexão sobre o ato da escrita.
Forte abraço, caro amigo!

© Piedade Araújo Sol disse...

um video belíssimo que nos faz reler o poema

belo, muito belo....

bom fim de semana.

beijinho

:)