domingo, março 18, 2018

COLHE O POETA...


Colhe o poeta a pétala. E o rubor.
Alegria breve

A desprender-se. E desamparada flor
Que estremece. E se ergue
No frémito

E se oferece. Nudez alva a derramar-se
Na manhã fria.

Lábios febris gretados a desenhar
O sobressalto. Sobre a pele.
E a sede que arde.

Flor e nome. Indelével perfume
A inflamar o declive fremente. Seiva que teima
No interior do caule.

(Poema reeditado )


Manuel Veiga


10 comentários:

Teresa Almeida disse...

É de reler. É da tua lavra. E o perfume é mesmo indelével.

Beijo, meu amigo Manuel.

G- Souto disse...

Continuas a encantar-me com a sensibilidade da tua poesia.
Gostei muito de ler este poema. Tem a primavera, nele. Os aromas desprendem-se das palavras.

Espero que estejas bem!
beijo

Larissa Santos disse...

Lindo de se ler. Parabéns Poeta.

Hoje:- Saudosa Viagem...

Bjos
Votos de uma boa Segunda-Feira.

Andrea Liette disse...

Penso que a palavra não é somente
o que se entende e ouve
mas o prazer do que se fala.

Assim é a sua poesia- harmonia
perfeita que "estala" na boca !

Abraço.

manuela barroso disse...

A flor se vai abrindo em formosura e cor; semeia sorrisos , desperta sentidos na pena e palavra do poeta . Breve , leve . Sobressaltadamente .
Bela , esta seiva poética , Manuel!
Beijinho . 😘

Tais Luso disse...

É muito saudável fazer uma pausa no nosso cotidiano, esquecer que vivemos numa sociedade com múltiplas facetas, para ler poesia, para sairmos de dentro das preocupações e mesmices e ver a vida mais azul, ou cor de rosa - no meu caso...rs
Dei-me conta que ainda conservo o hábito da geração anterior, o 'azul e o rosa'.
Lindo poema, Manuel, uma boa semana.
bjs

Ana Tapadas disse...

Muito belo! Ritmo excelente e intertextualidades em fundo.

Beijo

Olinda Melo disse...


E que bem que colhe!
Seiva, Vida, Poesia.

Abraço

Olinda

Suzete Brainer disse...

Este teu poema é uma obra de arte irretocável.
Irrecusável também a releitura, pois tem uma
beleza ímpar e sedutora.
A força das imagens poéticas tão bem construídas,
nos arrebata num encantamento.

A tua expressividade poética única, meu amigo.

Bjs.

Agostinho disse...

Assim acontece, desde sempre, maravilhosamente: o sangue, o rubor, a nudez alva, a febre gerada, como refere o poema, fundem-se os elementos do corpo poético para o ouro ser colhido na alquimia do amor.
Abraço.