quinta-feira, outubro 30, 2008

A maceração das horas...

Sob os escombros dos impérios a persistência
De dias adiados. Gestos macerados em estridência de bronze
Nos golpes desferidos.

Porém cortinas que incautos tempos
Vão abrindo. Escudos na intermitência dos golpes.
Por agora...

Heróis - dizem-me - estão gastos.
Respiram a poeira das cavalgadas e míticas auroras.
E o acaso dos dias...

No entanto sei que o esplendor das coisas possíveis
E a decantação das horas. E o perfume das madrugadas
Se alimentam desta espera. E desta teimosia.

E deste húmus.

E da fumegante audácia que germina na grandeza
De promessas – enfim! - traídas.

E nestes cardos que os ventos soltam em redemoinho.
Como espinhos...

E sei ainda que lâminas e cânticos se afinam.

E que o abraço escorre nos ombros.
E os pulsos se rasgam. E o sangue lateja.
E que as agruras são semente. E os caminhos se desbravam.

E que as ruas são torpedos quando rios
E flâmulas se incendeiam...

36 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético

És um grande poeta. É só o que te posso dizer, eu que sou amante de poesia.


Abraço

mariam disse...

Herético,
gracias, por isto, depois daquilo,infra, é ouro!!!!!! :)
vejo aqui Dali, Cervantes, ou ainda réstias de um outro poema seu.

Gostei(muito).

resto de boa semana
um sorriso :)

mariam

rosasiventos disse...

... a

in-ven-tar de-va-ga-r o teu


nome,

Peter disse...

"Sob os escombros dos impérios a persistência
De dias adiados."

É o que eu sinto.

Concordo com a "silêncio culpado": és um grande poeta.

dona tela disse...

Olhe, desta vez deu-nos para sonhar...

Muito obrigada por todas as atenções.

Tinta Azul disse...

Redundante dizer que escreves muitíssimo bem. Mas que seja, o que é para se dizer deve ser dito.

Gosto da força da tua poesia.

:)

Maria disse...

A força das tuas palavras...

Obrigada!
Beijos, e mais beijos

© Piedade Araújo Sol disse...

tanta força nestas palavras feitas poema.

destaco esta frase que me tocou..

"E que o abraço escorre nos ombros."

e escorre mesmo....

beij

mdsol disse...

O menino transfigura-se quando escreve "assim". Valeu! Valeu mesmo!
:))

maria disse...

Muito bem escrito, ou não fosse teu. E que venha o "incêncio"...
Beijo

Véu de Maya disse...

Um silêncio tão inocente que fala por si...gostei imenso, meu caro herético...

abraços

um Ar de disse...

Mais uma vez... há algo de épico neste poema.
Evolução que termina em fogo?
Como gostei!...
.
[Beijo]

jrd disse...

A metáfora. A inquietação de um tempo de espera do tempo que tarda.
Magnifico!

vida de vidro disse...

Uma exortação. Uma esperança persistente, apesar de tudo. Um acreditar na possibilidade dos caminhos se desbravarem.
E tão bem dito/escrito/sentido! Bravo, poeta! **

pront'habitar disse...

Heróis - dizem-me - estão gastos.

e os deuses?

tulipa disse...

.
.
.
.
.
.
.
Que o silêncio me embale,
nesta noite
em que falta
o abraço quente de um amigo...

Enrodilho-me nas asas do meu anjo invisível.
- Anjo,
cantas-me uma canção?



Beijos
e
abraços.

C Valente disse...

Excelente poema
Saudaçõe amigas

M. disse...

Hum..
Surpreendida na frescura do húmus fecundo. Golpe perfeito. Gostei muitíssimo. digo-o porque é verdade.

beijo

mundo azul disse...

Um ótimo poema!

Beijos de luz e uma semana FELIZ, meu amigo...

O Puma disse...

Entretanto meu irmão

aqui estamos

em riste e carne viva

a resistir

Graça Pires disse...

Mais um excelente poema, meu amigo. Gostei da esperança: "No entanto sei que o esplendor das coisas possíveis
E a decantação das horas. E o perfume das madrugadas
Se alimentam desta espera. E desta teimosia."
É isso. Só assim conseguimos salvar-nos...
Um abraço

Carla disse...

heróis...estão gastos, mas na maceração das horas perdemo-nos nos escombros dos dias...adorei ler
beijos

Miosotis disse...

... quase épica esta tua sensível veia de poeta!

Imensamente lindo!

Um beijo

Mar Arável disse...

A desbravar caminhos

sempre

heréticos

São disse...

Heróis? Tazes-me à memória o grande José Mário Branco...
Um resto de noite muito bom.

M. disse...

Especial o sentido deste título que escolheste para este teu poema tão forte.

Nilson Barcelli disse...

A teimosia pode ser uma virtude...
Virtudes, aliás costumeiras, encontro eu neste excelente poema.
Abraço.

São disse...

Se aceitares, tens flores para ti lá em casa.
Bom dia.

Stella Nijinsky disse...

Olá Herético!

Este poema tanto serve para os dias que correm, as agruras, as sementes,
esperemos


Stella

batista disse...

é isso, Amigo: nos versos (teus e de tantos) a certeza que a barbárie jamais vencerá. mesmo sendo hegemônica por um tempo que insiste em sobreviver à memória.

os "senhores" da guerra não passam de escravos da ignorância. envenenam a própria água que bebem e moldam grilhões de ouro e petróleo, para si mesmos... infelizmente nos arrastam com eles...

contudo, não têm como nos tirar a força das marés:

versos teimosos
a esculpir
na rocha da indiferença
e do escárnio
a delicadeza da flor,
o brilho das estrelas.

um abraço fraterno e solidário, Amigo.

Mel de Carvalho disse...

Um poema épico, uma força que se não aquieta, que não dorme, que não cede perante o que é "sacramentado" ...

"Heróis - dizem-me - estão gastos.
(...)
No entanto sei que o esplendor das coisas possíveis
E a decantação das horas. E o perfume das madrugadas
Se alimentam desta espera. E desta teimosia.
(..)E nestes cardos que os ventos soltam em redemoinho.
Como espinhos..."

Ler, reler e sentir. E desejar que as vontades se não verguem perante ventos adversos. Que a poesia seja, hoje e sempre, a força que nos cinge e nos impulsiona, rumo às ruas, "tais torpedos quando rios
E flâmulas se incendeiam..."

Rubras sejam as ruas. Hoje e sempre. No vermelho do sangue de gente que sente!

Talvez dos poemas mais fortes que li nos últimos anos! Vou guardar, Herético, se me permite.

Um abraço da Mel

pront'habitar disse...

heróis estão gastos (a grande verdade).

mas vão sempre aparecendo...

con ti nu ar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rosasiventos disse...

( não a razoável pequenez dos sesesesessssss sês



quis tudo tudo ou nada nada




e ?nada



ainda aqui e de novo,


BEIJO

Oliver Pickwick disse...

Espera e teimosia. Nunca foram tão necessárias. Poema primoroso!
Um abraço!

antonio - o implume disse...

Vivemos suspensos do encanto das coisas possíveis... essa é a nossa esperança.