domingo, julho 03, 2011

Apenas Magritte na Paisagem ...


Nada de mim agora.
Apenas Magritte na paisagem
Sobre a árvore
E a majestosa gralha
Cuidando as penas depois da chuva
Breve…

E o caprichoso melro circular
Em voo trinado
Assediando o galho
E o sol ligeiro
Por certo o beijo

Apenas melro e gralha

No céu
O anjo negro cavalgando a nuvem
Assim eu descendo nas asas do milagre
Sem outra grandeza ou glória
ou outro instante de lume

Apenas
A repentina gralha
E o voo do pássaro
Ou a neutra rosa
Afadigando-se em ser

Talvez Magritte
Tecendo as cores da árvore…

11 comentários:

jrd disse...

"Isto é um poema!"
Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

talvez magritte, ou tão só e talvez o poeta.

gostei!

beij

Mel de Carvalho disse...

Um poema belíssimo. Intemporal como Magritte.

Fraterno abraço
Mel

M. disse...

Adorei!

Maria P. disse...

Lindo.

Beijos*

lino disse...

Belíssimo! Por que será que a neutra rosa, o negro melro e a repentina gralha me lembraram, de maneira subliminar, os apoiantes da "troika"?
Abraço

Mar Arável disse...

Apenas?

... e já é tanto

Abraço

Lis disse...

O gênio Magritte e seus chapéus-coco a te inspirar de modo singular.
Avisto uma bela paisagem onde voce é o personagem tecendo versos frondosos .
Cavalguei poeticamente nessas suas asas do milagre sem fadiga, rs
grande abraço heretico

Carlos Ramos disse...

Concordo com JRD,isto éum poema, ou o Poema. Belissima construção, com um cheirinho de Poe, não sei se por causa da gralha. Muito bem. Abraço

Fragmentos Culturais disse...

Belíssimo poema em que partiste de Magritte e te refugiaste em Poe :)

Sempre surpreendente e singular, teu poetar, 'Herético'!

Beijo afectuoso

Licínia Quitério disse...

ESte poema é Grande, Grande. Voltarei para ler melhor este e os outros.

Abraço, Poeta Amigo.