quarta-feira, dezembro 07, 2011

"Mais vale morrer reinando, que acabar servindo"...


Luísa de Gusmão, nascida em 13 de Outubro de 1613, era espanhola de nascimento (andaluza) mas revelou-se uma rainha bastante ciosa dos interesses portugueses.

O casamento entre Luísa de Gusmão e o Duque de Bragança, promovido pelo ministro castelhano conde-duque de Olivares, foi uma peça da estratégia de fusão dos reinos de Portugal e Espanha, mediante a união das duas casas ducais mais importantes e, dessa forma, refrear as tentativas de rebelião portuguesas contra a dinastia filipina.

Mas Luísa de Gusmão não só não apoiaria a política de anexação de Portugal como incitou o marido contra o domínio espanhol, vencendo a sua tibieza e convencendo-o a aceitar a coroa que lhe era oferecida pelos conjurados e pelo Povo, com a restauração de independência, após a revolução vitoriosa de 1º de Dezembro de 1640.

Na última hora, na hora das hesitações, quando o duque de Bragança, convocado por Filipe de Espanha para se apresentar em Madrid e, por outro lado, intimado pelos conjurados a aceitar a coroa, se mostrava como sempre hesitante quis consultar sua mulher e encontrou nela a resposta altiva e varonil de que “mais vale morrer reinando, que acabar servindo”...

Mas quem hoje lembra a frase que a História regista? Nem sequer o feriado o 1º de Dezembro nos poupam!...

As “rainhas” actuais são de outra estirpe. Hoje, como ontem, as classes possidentes e seus representantes nos órgãos de Estado, tomam partido, não pela independência do País, mas pelo domínio estrangeiro. Como se o traidor Miguel de Vasconcelos fossem, prestam vassalagem à “imperatriz” Ângela e, com zelo de serviçais, vergam a espinha perante as ordens da tróica estrangeira…

A história, no entanto, não acaba aqui. Outras “Luísas”, que no duro quotidiano da vida actualsobem, que sobem, sobem a calçada”, fazem caminho na dura luta pela emancipação social e pela independência do País.

  







11 comentários:

Rogério Pereira disse...

Belo texto... Mas um reparo quando diz: "Nem sequer o feriado o 1º de Dezembro nos poupam!..."
Pensou alguma vez que data igual tem a ver com a "venda" de Portugal? 1 de Dezembro foi a data de entrada em vigor do Tratado de Lisboa... Por mim escolhia um feriado com esta outra data

bettips disse...

Tantas "Luísas" somos que esperanças sonhamos.
Abç

bettips disse...

Obrigada a Rogério Pereira pela preciosa e documentada ligação!
Assim, amigos, nos encontramos a pensar fundo.

lino disse...

Alguém no desgoverno saberá quem foi Luísa de Gusmão?
Abraço

BlueShell disse...

Era uma mulher forte que "chegava aágua ao seu moínho", segundo me recordo...
Infelizmente é isto----uma triste realidade!
Bj da concha!

jrd disse...

Mal vai um povo que não aprende com os (as) que escreveram a sua História.

Abraço

VÉU DE MAYA disse...

um abraço, meu caro. Actualíssimo a referência histórica e a frase da Luisa de Gusmão. "Vale mais saber obecer do que não saber mandar"...será que o mundo anda de pernas pró ar? Cuida também da tua saúde, pq ela é um bem precioso.

abraços,

Véu de MaYa

Maria Valadas disse...

Excelente texto histórico narrando uma época muito importante do nosso país.
Dona Luisa de Gusmão, uma referência que simboliza o Poder da mulher e rainha.

Gostei do tema do texto que vem na hora exacta... em que se pôe a questão de acabar com o feriado de 1 de Dezembro.

Bom fim de semana.

Beijos.

Maria Valadas

© Maria Manuel disse...

obrigada por nos recordares a história e o carácter de Luisa de Gusmão, este eco da nossa história: “mais vale morrer reinando, que acabar servindo”... os governantes e dirigentes deste país cada vez mais servem, não os portugueses, mas o poder económico, financeiro, deixando-nos a nós a servir ternamente pelas calçadas... excelente texto!

abraço.

Lídia Borges disse...

Assiste-se a uma decadência dos valores do humanismo tidos como elementares: a justiça, a ética, a verticalidade de carácter...
O capital lidera tudo. O político e o social, bem como a democracia, são um jogo de faz de conta nesta Europa perversa.

Lídia

© Piedade Araújo Sol disse...

parabéns por este texto oportuno e com saber histórico.

um beij