quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Voltará talvez o dia...


 Arde o silêncio agora e a boca salitre
Como terra ressequida. Corpo em fresta
Que se nega ao liso horizonte da carícia...

Letal o abandono de aves em seu voo.

Voltará talvez o dia das palavras tatuadas
Daquelas que a pele nos pede de tão puras
E que por vezes germinam como rosas
Que sem mácula desfolhamos pelas ruas...

Ecos de cristal tombado sobre a mesa
Bebemos o vinho derramado como se a festa
Agora negra fosse missa. Ou ritual de luto...

Triunfal a vida e o dia claro. Embora.

O desejo agora é branco.
Que outra glória, porém, busca o fogo no íntimo
Da fornalha.

Mais que arder como incenso de proscrito...


12 comentários:

Rogério Pereira disse...

"Voltará talvez o dia das palavras tatuadas
Daquelas que a pele nos pede de tão puras
E que por vezes germinam como rosas
Que sem mácula desfolhamos pelas ruas..."

Continuo a não compreender porque não publicas...

Mar Arável disse...

Todas as rosas se desfolham
Abraço
sempre

Canto da Boca disse...

Aprenderei um dia a tatuar poesia na parede da alma.

Palavras fortes, como um vinho tinto que não bebo há muito!


(e continuo com o pedido de suprimires a tal prova de que não somos robôs)

lino disse...

Mais um belíssimo poema!
Abraço

São disse...

Ritual de luto vivemos, mas brilharão de novo ao Sol as palavras tautadas no coração.

Bom fim de semana.

jrd disse...

Grande poema!
O teu dia, Poeta, está aí.

Abraço

VÉU DE MAYA disse...

Ah, meu caro

Quem poderá tirar o voo às aves? E que profunda escultura-o teu poema.

Abraço,

Véu de Maya

anita sereno disse...

ola boa tarde
belo texto
forte palavras num sublime poema boa semana abraços

lis disse...

Há muitas distâncias em nós e seu poema me traz um pouco de ti,
para estreitar os laços mando um afago
e salve o poeta!
abraços

© Piedade Araújo Sol disse...

talvez um dia as palavras tatuadas...

um poema muito belo além de pertinente.

gostei!

um beij

© Piedade Araújo Sol disse...

essas letras para provar que nao sou um robot

é uma PRAGA

je suis...noir disse...

"DESEJO BRANCO"; só estas duas palavras deixam o poema na memória a martelar...