quinta-feira, março 07, 2013

NO FERVOR DOS DIAS INESPERADOS...



Quando o vermelho se agita no mastro mais alto das cidades
E a flor da memória viceja no lajedo das tardes
E os cânticos desfilam em gargantas ressequidas
Como marés de sal-gema em cristais macerados.

Por momentos a dor abate-se em flâmulas agigantadas
Como velas. Não moinhos, nem barcos – apenas o grito.
Ou o poema em trânsito.

A palavra então é interdita. Sobra porém o gesto. Agora.
E a humidade dos olhos. E o caudal de bocas indignadas
E o eco das canções. Que ardem...

E esta labareda de abraços.
E esta (des) esperança contrafeita. Mais que teima –
Rumor da história ou sobressalto de alma.

Sonhos e escarpas em cada olhar. E a miragem
No fervor dos dias inesperados...

 

 

10 comentários:

jrd disse...

E de súbito o dia (in)esperado está aí e mais do que miragem é oásis!

Abraço

quem és, que fazes aqui? disse...



Gosto mesmo!

Pelos dias esperados!

Beijo

Laura

Mar Arável disse...

Todos os dias
uma mulher em flor

Unidos contra muros e amos

Abraço sempre

lino disse...

Miragem que se há-de fazer oásis!
Abraço

Jorge P.G disse...

Um belo poema à indignação e a outras emoções bem sentidas em pleno "alto-mar"...

Saudações amistosas.

Mel de Carvalho disse...

«E esta (des) esperança contrafeita. Mais que teima –
Rumor da história ou sobressalto de alma.»

como é belo o que escreve, estimado Herético, mesmo quando, obviamente, se indigna perante este estado de coisas, este país, este mundo.

fraterno abraço
Mel

Anónimo disse...

Agora!
Unidos!
No fervor do dia esperado.
Vida longa a quem escreve assim e vida longa a quem gosta de o ler.
Muitas respostas, sem ser necessario perguntas.
Sem muros nem amos.

Anónimo disse...

Agora!
Unidos!
No fervor do dia esperado.
Vida longa a quem escreve assim e vida longa a quem gosta de o ler.
Muitas respostas, sem ser necessario perguntas.
Sem muros nem amos.

O Puma disse...


... entretanto Seguro

apoia Cavaco

lis disse...

Li um trecho do 'desassossego' de Pessoa e encaixa no momento talvez nessa miragem de dias 'desesperados...'
é isto:..." o vento levantou-se/primeiro era como a voz de um vácuo/um soprar no espaço para dentro de um buraco/ uma falta no silêncio do ar./ Depois ergueu-se um soluço, um soluço do fundo do mundo,/ e sentiu-se que tremiam vidraças .../ Depois soou mais alto,/ urro surdo, um urrar nocturno /ranger de coisas, um cair de bocados ..."
O seu 'poema em transito' me pega sempre heretico,
e me faz ter vontade atravessar esse nosso oceano atlântico pra compartilhar esse 'fervor de dias inesperados' rs
meus abraços