sábado, janeiro 25, 2014

MAR DE SARGAÇOS E DE BRUMA...


Amolecem os dedos como pássaros
Em círculo de fios prisioneiros e o canto
Amarelecido…

Apenas o rasto da névoa e o azul breve
Mitigando o colapso da tarde
Sobre o Tejo...

Cacilheiros são os dias assim furtivos
Ida e volta como ondas sobre o cais
Desmaiadas e sem rumo que em eco
Desfalecem...

Mar de sargaços e de bruma.
Os olhos embargados
E sombra sobre a tela…

Manuel Veiga

 

12 comentários:

quem és, que fazes aqui? disse...


Há um "Mar de sargaços e de brumas" em cada um de nós. Há um oceano a precisar de ser limpo.

Obrigada pelas palavras amigas que me foste deixando.

Beijinho

Ana Tapadas disse...

O primeiro verso é um poema inteiro!

Uma maravilha de poema.


bj

Rosa dos Ventos disse...

Um quotidiano poeticamente apresentado e envolvido em bruma!

Abraço

jrd disse...

De novo é preciso separar as águas do Tejo.

Abraço

Rogerio G. V. Pereira disse...

Apenas o rasto da névoa...
Dá-nos mais

É treva, essa sombra sobre a tela

Mar Arável disse...

Incansáveis

os cacilheiros

Abraço

Licínia Quitério disse...

Babilónia envolta em bruma.

AC disse...

Olhar mitigado de nostalgia, embalado pela frustração do que resta... O pior é que a esperança se esvai.

Abraço

Mar Arável disse...

Vozes ao alto

Sónia M. disse...

Desde que se ouve a voz, aos poucos, deixou-se de ouvir os passos...

Magnífico poema, apesar da bruma.

Beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

se fala dos cacilheiro se de Lisboa, eu ia gostar !

que poema tão belo.

gostava que escrevesses mais poesia, ou, que a desse mais a partilhar, porque deves ter mais escondida por aí....

:)

maceta disse...

há sempre alguem com um olhar mais profundo...

abraço