quarta-feira, janeiro 08, 2014

MEMÓRIA PERFUMADA...



Lisa nos dedos cresce a forma e o seixo
Arestas libertas na geometria do verso
Fascínio de palavras tão incertas
Como a espera do gesto de colhê-las...

Agitam-se freixos em aragem rarefeita
Corpos em tocha sob gritos sustenidos
Corvos brancos em círculo nos sentidos
Limiar de sombra entre o verso e o seixo...

Fendem-se grutas. Argila - febre ainda!
(Já não seixo). E nas linhas modeladas
Explodem pedra e verso no cio estival da seiva
- Furor de potros sobre fêmeas!...

Crepitam corpos no cântico da tarde...

E na saliva das horas demoradas tomba
A sombra sobre os corpos e voam pássaros
No espasmo vulcânico dos dias...

Nada corre. Agora.
Nem a brisa. Apenas o verso arde em sua sombra.
E na memória perfumada...


Manuel Veiga

 

 

20 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Queria levar versos para os distribuir a esmo
Dás-me um poema inteiro
e não sei o que fazer

Acabo de descobrir

Ele perfuma a memória
dos corpos que não sucumbiram
durante o cântico da tarde

Mar Arável disse...

Mais um belo texto
a espargir aromas
de corpo inteiro

Abraço-te

Luis lourenço disse...

telúrico como o granito...obrigado por partilhares e parabéns ao Manuel Veiga.

grande abraço meu caro e que o 2014 venha com saúde e paz e solidariedade.

Véu de Maya

© Piedade Araújo Sol disse...

poesia belíssima com um toque de sensualidade...

gostei!

:)

lino disse...

Belo poema!
Abraço

jrd disse...

Na essência sensual das palavras, o perfume da poesia.
Mais um belo poema!
Abraço fraterno.

Mel de Carvalho disse...

Caríssimo,

há muito que se impõe o livro a enformar a obra esparsa por aqui!

belíssimo.

fica um fraterno abraço e os meus votos de que 2014 lhe seja, e aos que estima, favorável e que nele se concretize a paz e harmonia no mundo.

Mel

Ana Tapadas disse...

É um belíssimo poema!

Beijo

Maria João Brito de Sousa disse...

... um poema daqueles que me deixam sem palavras...

Gosto muito. Degusto, registo e deixo o meu abraço!

Graça Pires disse...

"Apenas o verso arde em sua sombra",
mas eu acho que se incendiou o poema todo... Muito belo.
Um abraço.

O Puma disse...

Palavras que respiram por guelras

Abraço

Lídia Borges disse...


"Nada corre. Agora."

Mas enquanto assim arder o verso, nenhuma sombra chegará a ser escuridão.


Imagético!


Beijo

Canto da Boca disse...

Um poema que aguça os sentidos...

Sónia M. disse...

Belíssimo!
Gostei de chegar aqui.

Abraço

Sónia

Mariazita Azevedo disse...

Confesso que o que me trouxe até aqui foi a imagem num comentário num dos blogs que visito - a imagem do relógio, pois tenho um igual na minha sala, que tem mais de cem anos e pertenceu à minha bisavó.
Mas, perante um tal poema, o relógio é relegado para segundo plano:)
Intenso, forte, belo!
Parabéns ao autor.

Um muito feliz 2014.
Beijinhos
Mariazita
(Link para o meu blog principal)

quem és, que fazes aqui? disse...


E cheguei e li e senti.

Beleza no dizer/escrever!

Beijinho

Maria do Sol disse...

Fiquei parada dentro do poema...

Abraço

ॐ Shirley ॐ disse...

Bamboleio de palavras, gestos e intenções...Muito bonito.
Beijos, heretico!!!

Graça Sampaio disse...

Muito bonito!!! (e mais não digo para não estilhaçar o poema. Ou o seixo)

Muito bonito!!

demagnetemagazine disse...

lindo!! andava eu em busca de "espaços" enamorados pela poesia e voilà... ;))
obrigada pela partilha!
volto :))
Patrícia*