terça-feira, dezembro 09, 2014

Corrosão da água sobre a pedra...


Derrama-se a palavra no corpo da escrita
Sem mais nada.

Leve fissura apenas. Milimétrica.
A imiscuir-se na tensão da espera. Como se arqueologia fora.
A corroer por dentro
Sem plano
Ou guia...

Mistura dissolvente. Benigna.
Corrosão de água sobre a pedra.
E alquimia do verso fugidio
E do incauto morfema...

Como se a inesperada espera fosse
Bicho alado. Já não apenas pedra.
Inquietação do poeta a engendrar 
As cores do poema...

E a dissolver a água e a pedra
Nas dores da hora.
E na escrita maior
Do Mundo!...


Manuel Veiga

11 comentários:

Mar Arável disse...

Palavras com vida por dentro

Abraço poeta


Majo disse...

~ ~ ~ ~ Um canto à glória da génese do canto. ~ ~ ~ ~

~ Momentos de construção, muito especiais e íntimos.
~

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

Rogerio G. V. Pereira disse...

A persistência
da água
na claridade
das pedras
já não apenas pedras

lis disse...

Um outro poeta na eminência da solidão bradou_ "Ó vida futura /nós te criaremos/te diviso ainda tímida/inexperiente das luzes que vais acender."
_ é a doce ilusão de ver a pedra se desfazer diante das gotinhas que fazem dos seus versos essa alquimia linda.
Parabéns.

Graça Sampaio disse...

Muito bonito, caro heretico! E sempre a procura da explicação do ato poético. Com as palavras exatas e outras ... provocatoriamente inesperadas.

Beijinho, Poeta!

© Piedade Araújo Sol disse...

palavras derramadas, quiçá com o sabor da água e eu entorno a ternura dos azuis....

muito belo!

:)

Fê blue bird disse...

Um poema para reflectir sem dúvida.

beijinho e bom fim de semana

Helena disse...

"Inquietação do poeta a engendrar
As cores do poema..."
Os poemas que surgem da inquietação do poeta trazem luz ao olhar e formam arco-íris na imaginação...

jrd disse...

Liquido o poema na dissolução do tempo.

Um abraço poeta irmão

AC disse...

Uma escrita muito sentida, quase em carne viva...

Abraço