quinta-feira, junho 25, 2015

A MEMÓRIA É UM IMENSO LAGO...


A memória é imenso lago que nos devolve o rosto
Transfigurado como a pedra a desfazer-se
Depois das casas morrerem...

Itinerário de cinza
A despenhar-se
Por dentro...

Garganta apinhada e celeiro talvez
A explodir em pio de ave
Ou fissura por onde
O fogo arde
Ainda...


Manuel Veiga

16 comentários:

O Puma disse...

Todos os dias construímos memórias

Sempre o nosso abraço

Graça Sampaio disse...

Poemas sempre de força e de pedra - como os naturais do nosso nordeste!...

Beijinho

jrd disse...

A memória ondula e agita-se como um grito que se solta e nunca sufoca.

Um abraço fraterno

Rogerio G. V. Pereira disse...

O fogo que dá esperança
Que renasce da memória dela

Abraço

Anónimo disse...

Há três sintomas que um tipo está a ficar velho:
o primeiro é a falta de memória e os outros dois já me esqueci!

Tu não, pelos vistos és um puto!

Um abraço ancião e leitão pata negra

CÉU disse...

Divinamente escrito, meu querido amigo!
A memória é mais que um lago, é um oceano, um alçapão onde tudo se fabrica, se armazena, se cogita, se deseja, se põe em prática, e de onde nada desaparece, se esvai. É caso para dizer: "É FOGO"!
Abraço--------------------------------------------------

José Rodrigues Dias disse...

Um lago
que nos devolve o rosto
transfigurado,
o resto...

Abraço, Amigo!

Suzete Brainer disse...

O título é lindo:"A memória é um imenso lago..."
Nessa profundidade, a viagem por dentro retorna o
sentir do que foi vivido para o "aqui e agora"
na janela do (tempo) presente...

Sempre bela a tua poética!!
Beijo.

lis disse...

Tem poemas que deixa a gente a ver imagens.
Esse faz a memória se descortinar,
_ e o lago vira um rio, em turbilhóes.
'Ainda'
fica o abraço

Helena disse...

Ao ativarmos a memória atiçamos cinzas adormecidas...
Sorrisos e estrelas!

Maria Eu disse...

Sempre se arde, nas memórias vivas.

Boa noite, Manuel. :)

Agostinho disse...

A pesar. Apesar e ainda uma maravilha de agradecer.

Os pavões também se comem e há por aí tanto... Grato pela dica.
Abraço.

Majo disse...

~~~
~ «onde o fogo arde ainda.»

Para deleite de nós, leitores.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

~ ~ ~ ~ Beijo, Manuel. ~ ~ ~ ~
.

Ana Tapadas disse...

Cinza que ainda queima...
Belo e forte poema|

Beijo fraterno

G- Souto disse...

Começas logo no título, "A memória é um imenso lago..." a despertar para a beleza das emoções.

O fogo, sempre arde se a chama ainda se despenha...

Gosto da tua poesia dos afectos.

Beijo, Herético

Jorge Castro (OrCa) disse...

A memória é um imenso lago, na verdade, como dizes tão bem. Mas seguindo a analogia, já nos Coelhos, bem como nas Lagardes, republicanas ou à lagardère, houve um pântano sórdido e insalubre que ocupou o espaço daqueles seus lagos. E não, não foi doença, foi uma massa em putrefacção que lhes surgiu num tumor chamado mercado. Horrível, pá... é só pus!