quinta-feira, setembro 24, 2015

PAISAGENS...


Inesperadas paisagens me visitam
E guardo com devoção de caminheiro

Vêm de longe. As paisagens.
Por vezes murmúrio. Outras, grito solidário
Abrindo-se em eco sem fronteiras...

Montanha e mares fundidos. E o desgarrado voo.
Que teima. Sortilégio ainda. Cores matizadas.
Mais que trama. Ou ledo engano.

Apenas o azul e a distância
Lhes dão forma. E o sopro  
Que inflama.
  
Caçador, eu fora. E perder-me nos abismos.
De pés rasgados e, em febre, a mente.

Assim, porém, me perco. Desenho miragens
Como quem colhe o declive ameno.
Nem falcão, nem presa.
Nem o tenso arco.
Apenas a seta e
A curva
Descendente.

Lavando a alma
Nas paisagens que colho
No momento.

Manuel Veiga



17 comentários:

Helena disse...

Há paisagens assim, desenhadas num delírio que queima a alma e por isso se tornam tão belas...
Um beijo no desejo de que os sonhos lavem a tua alma nas paisagens de flores, pássaros e borboletas...
Helena

Jaime Portela disse...

Há coisas que nos lavam a alma. Como algumas paisagens...
Um magnífico poema, como sempre.
Caro amigo Veiga, tenha um bom fim de semana.
Abraço.

Graça Pires disse...

A fazeres-te caminheiro para visitares paisagens com promessas de azul e distância, com voos desgarrados, com gritos solidários...Como quem acredita na magia de qualquer lonjura e de qualquer abraço...
Tão belo, meu Amigo.
Um beijo.

O Puma disse...

Sabes que gosto de visitar as tuas paisagens
para lá dos azuis

Abraço meu amigo

deep disse...

Bela paisagem de palavras e de sentidos. :)

Bj

Janita disse...

Paisagens idílicas onde se perde e nos faz perder!
Que belo e emocionantes sentimentos brotam nesse seu apaixonante estilo de escrever!
Quem fica de alma lavada sou eu, Poeta!

Um grande beijo!

CÉU disse...

Gosto muito da cor azul, do que escreve e da sua alma lavada.
Gostei. Gostei, como sempre. Já sabe disso, mas é bom ouvir/ler.
Um beijo para todos, e um, em especial, para o pequenino António. Como os avós amam os netos! Eu sei, pke tive o melhor avô do mundo.

Suzete Brainer disse...

Que belas paisagens colhidas das profundezas
dos abismos de (in)quietudes, no qual o poeta
voa e pousa nas palavras que desenham o todo
de beleza talhada na excelência de sempre...
O mais importante, uma excelência movida pelo
sentir que toca a alma...
O toque da poesia é de uma beleza
inesquecível, Poeta amigo!
beijo.

ॐ Shirley ॐ disse...

Tudo a seu tempo... É chegada a hora de curvar-se diante das lembranças...
Lindo, Manuel!
Beijo!

Majo disse...

~~~
~~ B e l í s s i m o ! ~~

~~ Beijo, Poeta amigo. ~~
~ ~ ~

Jorge Castro (OrCa) disse...

Só quem tem olhos de ver sabe olhar para paisagens, não é? E fica mesmo tudo dito! Abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

e olhar lavando a alma do poeta.

muito belo!

:)


José Lopes disse...

Por vezes vemos com os olhos da alma,,,
Cumps

Mar Arável disse...

Que vivam as paixões

Abraço fraterno

Agostinho disse...

O falcão plana nas alturas
as paisagens da memória,
bobina e rebobina foca
e passa em câmara lenta
de volta aos viçosos vales

Muito bom, Manuel.

O Puma disse...

Lá estaremos em riste

no silêncio das urnas

Abraço sempre

Sónia M. disse...

As paisagens do poeta
a lavar a alma de quem as lê.

Muito belo!

Beijo