quarta-feira, abril 06, 2016

A LAVAR A ALMA....


De novo a montanha e o gesto amável de colhe-la.
Gregoriano o canto. E a ave o abismo. E meus olhos
A flutuação da brisa. Cegos na imensidão da cor
Em que se despenham...

Estendo os braços. E o sol desbotado é eco
Que devolve o prodígio. E os inaudíveis sons
São o bailado da memória. Fio de água a desenhar
A paisagem cá por dentro.

E o tempo destilado
Gota a gota. Ruínas e calcário que se negam.
E se condensam. Fogo que circula
No interior da pedra...

E a poeira líquida – fios de prata por onde escapa
A flor sem nome.
Tão frágil
Que hesita
E se verga
Como se a hora
Fora plena.

E a gloriosa tarde fosse eterna...

Manuel Veiga

"Do Esplendor das Coisas Possíveis" - Poetica Edições - Lisboa






10 comentários:

Majo disse...

~~~
~~~~~~ Lavar a alma com o esplendor e poesia

da magnificente e deslumbrante paisagem da montanha,

~~~ numa tarde magnífica que se desejava perene.

~~~~~~~~ Muito belo. Beijo amigo, Poeta.
~ ~ ~

Mar Arável disse...

Lá estarei para um abraço fraterno

Suzete Brainer disse...

A melhor forma de lavar a alma, com Poesia e
a montanha com canto gregoriano!...rss

Ah!, a tua bela poética é uma riqueza imagética
a nos deixar sem ar, como subir uma montanha
bem alta, com todas as belezas da caminhada e
atingir o seu cume, com a certeza de horas
preciosas desta caminhada (leitura) a ficarem
na alma lavada e renovada de Poesia!...

Que bela imagem...

Adorei!!

Fê blue bird disse...


A contemplação única e eterna de um poeta.
Mais um momento muito belo.Obrigada!

Um beijinho

Jaime Portela disse...

Quando as paisagens se desenham assim, dentro de ti, o resultado é este: um excelente poema.
Bravo, gostei imenso.
Bom fim de semana, caro amigo Veiga.
Abraço.

Gisa disse...

Um momento que vale muito ser vivido. Um bj querido amigo

José Carlos Sant Anna disse...

Que magnífico descortinar tais belezas através desse "grito" da tua "solidão". E nesse gritar silencioso não se vê abismo. Só beleza...
Um abraço,

G- Souto disse...

(Pre)anúncio de Primavera, me aromatizou a alma, este teu poema. 'A Paisagem cá por dentro'...

Miguel Torga não te faria sombra neste cantar a montanha. Tão intenso. Lindo !


Beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

detalhes e cores que o Poeta desenha com as suas palavras...
boa semana.
beijinhos
:)

AC disse...

Há, na tua escrita, uma vontade imensa de abraçar, de sentir as coisas...
Parabéns!

Abraço