sexta-feira, julho 22, 2016

MAGNÉTICAS AS LINHAS ...


 Esferas, em rota muda, adornando o silêncio
Destino a que se acorrentam -
Que nada no horizonte frio além
Da sombra.
 
Vácuo de que se reclamam
Os autoproclamados céus
Apenas o latir surdo
Da noite eterna.
 
E, no entanto, em sua dolência,
Solfejam o venerável canto mudo
E o grito do fogo
As imperturbáveis
Esferas...
 
Magnéticas são as linhas
Que se anunciam
E as trajectórias
(A)simétricas.

Manuel Veiga



 

 

5 comentários:

Tais Luso disse...

Olá, Manuel, o poder magnético... Lindo poema!

Vácuo de que se reclamam
Os autoproclamados céus
Apenas o latir surdo
Da noite eterna.

Adorei o vídeo, a suavidade.
bjs, amigo. Um feliz fim de semana.

Majo Dutra disse...

~~~
É preciso, realmente, coragem e talento para escrever
este poema cativante, sobre um tema tão hostil e inóspito.
FIcou original e especial...
Como herético, cuida-te - não vás perder esse céu, que
é o paraíso prometido.
Continuação de boas férias.
Bj ~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Fê blue bird disse...

Faz hoje anos que morreu Serge Reggiani, um dos grandes cantores franceses .
Belo o teu poema.

Um beijinho

Suzete Brainer disse...

Mais um poema belíssimo, de quem nasceu poeta e por
isso, sabe muito bem o magnetismo das palavras,
a importância de como dizer sem desnudar os significados
e sempre com arte e expressão.

A trajetória de um poema assim é alcançar
as 5 estrelas!...rss

Agostinho disse...

Há séculos que não ouvia este rapaz, o Reggiani. Retiraram-no a ele e a muitos outros do nosso céu. As eternas esferas no destino da gente?
Um poema ao alcance da mão do infinito, mais que humano.
Abraço.