sexta-feira, dezembro 16, 2016

Em Cada Raiz, Um Poema Virgem.


Em cada inesperada raiz, um poema virgem
Sabor que desagua no palato. Qual rio
Que se espraia em águas cristalinas e cascatas
A soltar amarras e a celebrar litanias selvagens
Nos percursos íntimos da memória e na agitação
Dos dias perturbados. Porém, plenos. E claros.

Amoras tardias colhendo o sol das colinas
E mel silvestre nos lábios e, na língua, uma sede
Anscentral. Aguardente de vida a derramar-se no sangue
A destilar, fervente, o acaso de fugazes encantamentos.
Como se o voo espantado dos olhos fossem tordos
Ainda. E razão de tudo na irrequieta liberdade
Do canto no rosto das ruinas. E o corpo fosse
A majestade das ravinas suspensas do sopro.

Há em cada incauto verso uma perfumada seiva
Ou uma cicatriz aberta. Ou apenas um sorriso
Ou um barco engalanado. Ou um caminho.
Ou uma mágica sinfonia a abrir-se no palco
Como se o poeta fora cítara ou eco. Pastoril
Devaneio a percorrer o reverso do sonho.

Manuel Veiga





16 comentários:

rosa-branca disse...

Li e reli esse devaneio a percorrer o reverso do sonho e adorei. A música é linda. Meu amigo bom fim de semana e beijos com carinho

Vieira Calado disse...

Olá, amigo, como tem passado?

Venho desejar-lhe uma excelente Quadra Natalícia!
Um forte abraço!


LuísM Castanheira disse...

Intocável esta raíz/poema que livre, puro e belo nos desperta a natureza viva...dos sentidos.
e o poeta é eco, depois do verso-sonho.
tão bom e tão forte esse palato.

um também forte abraço, Amigo.

Armando Sena disse...

Um mundo, um caminho, o som da poesia.
Abraço

Minhas Pinturas disse...

Lindo Poema, lido e relido por mim que tanto gostei e quase decorei.
Abraço, Léah

Tais Luso disse...

Amigo Manuel,
Profundos são os poemas quando há ideias e sentimentos. A escolha das palavras, então, torna-se a ferramenta principal, acrescentam mais força e beleza à poesia. O Vídeo 'Ave Maria' - sempre lindo. Parabéns pela postagem.

Aproveito para deixar meus votos de um ótimo Natal para você e sua família, com muita paz e alegria - é o que a humanidade está precisando.
Bjs.

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema muito bem estruturado onde o Poeta não perde nenhuma ponta e se deixa desligar em vocábulos e metáforas., ricas a transbordar poesia...

ou um poema para ser declamado e sentido...

muito bom!

beijinho

:)

Manuel Veiga disse...

Piedade,

fico muito grato pelo teu amável comentário, que sei genuíno e ditada por profunda admiração mútua de muitos anos.

e isso me permite dizer-te, com à vontade, que metáforas cada vez menos na minha poesia. aliás considero que as metáforas são um espécie de "bolo rei" na ceia de Natal- fico logo empanturrado!

deixemos, por isso as metáforas, Piedade, para os mestres pasteleiros...

beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

Manel

se o dizes é porque assim é.

este poema, li-o com atenção e para mim, eu costumo voar nas palavras dos Poetas e imaginar metáforas onde talvez nem existem.

também gosto de exercitar a minha leitura a todos(ou quase todos) os poemas que leio e mexem comigo, que é ler ao contrário, ou seja de baixo para cima, e gostei das minhas duas versões, talvez fosse isso.

beijinho

:)

Manuel Veiga disse...

Bem vinda, Léah

muito gratificante o comentário.

grato

Manuel Veiga disse...


Tais,

muito grato pela presença amiga neste blog.
creia que muito prezo a sua sempre generosa e sensível participação
neste espaço.

agradeço e retribuo os votos de Boas Festas, permitindo-me incluir todos aqueles que lhe são próximos.

beijo

Manuel Veiga disse...

Vieira Calado, Poeta amigo

grato pelos votos de Boas festas
que retribuo com elevada consideração e amizade

forte abraço

Odete Ferreira disse...

O poeta é doença e cura. É vida e morte.
Mas, sobretudo, um ser de alimento.
Sacio-me por aqui.
Bjo, amigo :)

anamar disse...

Deslumbrada estou.

Hoje passeei-me pelas avenidas da poesia.

Palavras assombrosas em caminhos percorridos. São assim os poetas.

Beijo amigo e ...

Boas Festas e festas amigas.

Ana

graça Alves disse...

Tão bem que descreve a arte poética!
Parabéns!
Bj

Agostinho disse...

Um poema de grande alcance e sentido. Fácil é lê-lo, difícil é alcançá-lo na dimensão autêntica dos sentimentos puros e humanos.
Tratando-se da (re)visão do reverso do sonho, no cantar do Poeta, nele se lê a face como num tactear de mãos.
Grato pelo momento, daqui vai um abraço.