quinta-feira, outubro 19, 2017

Nos Esteios do Sangue


Nos esteios do sangue e nas telúricas vozes
Que em nós habitam.
Nas profundas águas
E no altar das rochas
Tresmalhadas
No zénite do sol
E nos pomares e
Nos veios
Líquidos.

E nos cheiros da terra lavrada
E nas marcas da vara tempo
E nos nossos rios.

E nos lábios ressequidos
E na sede de mil anos
A acicatar os passos.

E nos lutos. E no silêncio dos sinos.
E no estrondo das festas
E nos arraiais festivos
E nas antigas
Danças.

E no corpete das raparigas
E nos lenços bordados
E nas gargalhadas
E nas brigas.
E nos dias ardidos
E naqueles outros pregoeiros

Te nomeio, Terra, Língua, Mátria
E te venero
E te guardo
E te digo

Gesto em que me rendo
E me entrego
E deslasso
Meu olhar
Altivo.

Manuel Veiga

"Caligrafia Íntima"
POÉTICA Edições - Maio 2017

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Porque sim!
E porque alguns amigos mostraram desejo nisso
Está reaberta a caixa de comentários!

Sejam bem vindos! De novo...


17 comentários:

anamar disse...

Boa noite , Manuel.

Por aqui , Lê-se e ouve-se....

Cheira a Festa... (em campanha :)

Abracinho :)

LuísM Castanheira disse...

tempos houve que da minha pátria uma grande vergonha eu sentia.
até do folclore tinha um sentimento de rejeição.
o fado era aquele tipo de música, de faca e alguidar, que me afastava a sete pés
da pobreza estendia-se o cheiro do suor colado à mesa
ouvia-se na rádio aqueles folhetins, tipo corin tellado. só o humor cáustico dava um ar leve, na voz do solnado.
foi ao saír que de fora assim via e
como estava enganado.
o meu país tinha história, tinha gentes, tinha valores, uma língua completa, tradições, cultura e uma beleza natural sem igual.

amo este país mais de qualquer outro, apesar de tudo.

aqui chegado, queria dizer-te, amigo manuel veiga, que este teu poema é cheio destas pérolas, que descreves de forma mestral.

um forte abraço e grato pela amizade.

ps. (não o partido...) - ainda bem que abriste os comentários. o poema "ÁS PORTAS DA CIDADE", levo-te a desejá-lo. mais tarde a ele hei-de voltar.

Tais Luso disse...

Olá, amigo Manuel, fez bem reabrir os comentários, eles dão vida aos nossos blogues, somos uma comunidade de blogueiros amigos o qual interagimos, no mínimo todos nós temos o mesmo gosto, o de escrever, de colocar nossas ideias e um pouco de nossas experiências na telinha. E também gostamos de saber a opinião dos amigos, afinal, ninguém escreve para si, presumo.
Aqui no Brasil, 20 de outubro é o Dia do Poeta, envio meus cumprimentos brasileiros a você pelos seus belos e sensíveis poemas que sempre os leio.
bjs. amigo!

José Carlos Sant Anna disse...

Wow! Voltou no dia da poesia.
E o fizestes bem, afinal um poeta da sua estatura (rsss) tinha de reabrir a caixa de comentários para que fizéssemos a justa a homenagem.
E imagina a minha alegria de poder voltar a dialogar abertamente com este poeta que sabe o que diz, como diz e a quem diz.
Sou fiel leitor. E diferente do STF brasileiro, me rendo a quem sabe o que faz com as palavras. E quem lida bem, e muito bem, com a ética!
Fortíssimo abraço, velho companheiro!

Teresa Almeida disse...


Custou-me a chegar ao "Relógio de Pêndulo". Fui por outro caminho e fiquei feliz por entrar e ser este o poema que reabriu as portas. Poesia de raiz, de alegria e entrega. Glorificação da terra e da vida. Um poema que não é fácil esquecer. Marca de um poeta de eleição.
Parabéns, Manuel. Abraço amigo.

Mar Arável disse...

Bem-vindo à minha escarpa
Abraço

Manuel Veiga disse...

anamar,

por onde andas tu, amiga?
viciada em campanhas? rss

beijo

Manuel Veiga disse...

Luis Castanheira,

caloroso abraço, meu amigo.
muito grato pela tua presença amiga e a gentileza das tuas palavras.

(não sei que capricho da net me impede de agradecer o privilégio da transcrição do poema no teu blog, mas sabes quanto me sensibiliza. grato por tudo amigo)

Manuel Veiga disse...

Tais, minha amiga

um privilégio sempre a sua presença neste espaço
os seus comentários, como aliás os seus textos, que muito aprecio, são sempre lúcidos, atentos e atenciosos
motivos de sobra para saudar a sua presença

grato

beijo

Manuel Veiga disse...

Teresa, minha amiga

os caminhos da net são para mim insondáveis...

muito grato pela "raíz" que tão bem sabes desvendar no meu poema, e afinal tão familiar no teu universo poético, como matriz e fermento que leveda o pão (da poesia) que amassamos.

beijo

Manuel Veiga disse...

Caro José Carlos,

o que aí vai de exagero, meu amigo
nada de mais ser amigo do amigo e respeitar quem nos respeita

privilégio a tua presença

caloroso abraço

Manuel Veiga disse...

MarArável,

sempre bem vindo e sempre apreciados os teus comentários
mas ao que parece continuamos "empatados" rss

abraço fraterno

Ana Freire disse...

Como já afirmei há pouco, num comentário mais recente... fico muito contente, por ter reaberto os comentários, Manuel...
Um poema belíssimo... que me fez sentir o meu pais, em cada palavra!
Como sempre, excepcional! Beijinho
Ana

Eu herético disse...

Ana,

grato amiga

muito gratificante a sua presença.

beijo

Rogerio G. V. Pereira disse...

Vamos lá!
Embora com tempo escasso,
vamos ver se te acompanho o passo

Manuel Veiga disse...

Bem vindo, Rogério
sempre, com o tempo que quiseres ou puderes
abraço



Agostinho disse...

É assim o natural.
O sangue a escorrer de veia em veia.
O milagre que nos conserva átomo importante, natureza; no todo universal fundamental.
Dito por ti a marca prega mais fundo.

Abraço