terça-feira, junho 19, 2018

ANTI COCEIRA - Cenas De Uma Peça Burlesca ...



1ª Cena: A Dama, o Cão, o Cego... e a coceira do Cego

Um cego lazarento e empertigado, coçando-se:

Maldito cão, que está cheio de pulgas – vou mudar de cão!”…

A Dama, abrindo a caixa das esmolas. Vazia…

“Vou mudar de vida – estou farta de ser bordão de cego sem “guito”! …

O Cão, alçando a perna e “marcando o território” nas calças do cego:

“ Vou mudar de patrão – este cego não vê um palmo à frente do nariz! …”

E uma pulga, sabida, saltando do cego para o pêlo do cão:

“Vou mudar de poiso – este cego está acabado!...”

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2ª Cena: A esquina da praça, o mesmo cego e um poeta cínico

O cego em sua ladainha, na esquina da praça, estendendo a mão:

Uma moedinha, uma moedinha, dê uma moedinha, por favor!...”

Os transeuntes não ligam – apressados!
E um poeta vagamente cínico, em maré de generosidade, coloca na mão do cego 10 cêntimos:

“Toma lá e vai-te coçar! É para mandares cantar um cego!...”

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Manuel Veiga

8 comentários:

Larissa Santos disse...

Kkkkkkkkkk muito bom mesmo :))

Hoje:- Não será solidão por estar sozinha.

Bjos
Votos de uma óptima Terça-Feira

Ailime disse...

Boa tarde Manuel,
Gostei bastante da peça que tem imensa graça.
Parabéns pelo seu talento.
Beijinhos,
Ailime

José Carlos Sant Anna disse...

Caro amigo,
O humor pede passagem e nós tiramos o chapéu para a criatividade do poeta!
A verve é tudo nos clarões abertos aqui.

Forte abraço, meu caro poeta!

Suzete Brainer disse...

Poeta,

Talento, inteligência e criatividade na arte da ironia,
a desconstruir os estereótipos, nesta sátira no tom
Manuel Veiga, poeta que brilha sempre com as palavras,
na narrativa irônica ou sublime.

Gostei muito (...rss), meu amigo.

beijo.

Teresa Almeida disse...

Ensaiando novos papéis, poeta?
As mensagens disparam nas falas dos atores.

Meu aplauso e meu beijinho, Manuel.

maria franco disse...

Humor, com uma dose de ironia!
Boa noite.

Jaime Portela disse...

Brilhante.
O humor e criatividade de mãos dadas.
Bom fim de semana, caro Veiga.
Um abraço.

Graça Sampaio disse...

Poeta escreve de tudo mesmo, né?!

Imaginação não lhe falta, se bem que não tenha apreciado o tom de humor negro. Sou "sensível"...

Beijinho.