quarta-feira, agosto 21, 2019

VIBRAÇÃO DE LIRA

No desenho dos dias um gesto
E uma cadência. Ou o rubor de uma cor
A latejar viva sobre a tela.

Os dedos buscam o recorte imaculado
Das linhas. E, do poema, o poeta
O primeiro verso.

E a dança inaugural
Sobre a lombada das distâncias
E o movimento da luz
A desabar no dedilhar da lira.

Ou o último silêncio
E o esplendor de um livro aberto
Tombado sobre o colo...

Manuel Veiga



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