terça-feira, fevereiro 03, 2026

Um Dia Irei Inventar Um Rio


Um dia irei inventar um rio

E derramar pétalas na boca de todos os amantes.

E então todas as margens serão

Registo de meus passos                                                                

E todas as águas salivas buliçosas:

Espuma dos dias e sinfónicos cânticos

A ecoarem no palato

E nas línguas…

 

E  serei um archote de lume

Em cada praça. E em cada esquina

Uma memória altiva.

 

E cada lago uma fonte.

E cada terreiro será grito

De um pregão.

 

E todos os nomes serão o mesmo nome.

E todas as pontes a passagem

De meu corpo.

 

 E serei piano na escala                                                        

De teus dedos. E vadio fado no abismo

De teus olhos..


Manuel Veiga

 

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