terça-feira, janeiro 27, 2015

POSTAL DE ATENAS...


Generosos são os deuses que tecem filigranas
No corpo da noite...

Sempre ali estiveram as ilhas. Meus olhos
É que tardaram nessa bebedeira do sonho...

O voo é esta reclinação do tempo. Dispo-me
De mim e mergulho no magma. Como outrora
A cobiça dos impérios criava tempestades...

Pepitas luminosas no colar de Athena
As ilhas sempre ali foram. Homens e impérios
As profanaram no impudor da guerra. E no delírio
Das vitórias.

Gargantas bárbaras por onde escorre vinho
Generoso. Subtil veneno que entorpece
Como lento remoer da insubmissa espera...

Sou herdeiro desta miragem. Da infinita doçura
Que sara os golpes. E da mão que vinga.
E do apolíneo gesto que rasga a pedra.

E do bronze da história que clama.

E que reclama...
.....................................................
Regresso agora. Ítaca reinventada. Pátria minha.
Ferida aberta...


Manuel Veiga – in “Poemas Cativos”


15 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Este talvez seja um dos teus poemas cativos que mais cedo se liberta

rasgando a pedra

Majo disse...

~
~ ~ "Pátria minha. Ferida aberta... "

~ À espera de uma reinvenção. ~
.

jorge esteves disse...

Gosto do modo lírico como traças os teus épicos versos. E digo 'lírico' como quem diz inicial.
Abraço, amigo Manuel!

jorge

Graça Sampaio disse...

Muito bonito, heretico! Tão bonito como o próprio Peloponeso! Rendilhadas as pedras e com salpicos de mar. Muito belo!

Ana Tapadas disse...

É um belíssimo poema!

Beijo meu

© Piedade Araújo Sol disse...

lâminas nas palavras...

:)

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Lindo seu blog e
encantador seu poema.
Ja seguindo
deixo Bjins
CatiahoAlc.

C Valente disse...

Saudações amigas.É sempre um prazer por aqui navegar, a maresia que se inspira liberta o coarção

Mar Arável disse...

Alguns por bem chamam épica à tua poesia

Falta-lhes ver o sol
mesmo de Inverno
a dardejar por dentro
das nossas bandeiras

Abraço fraterno

G- Souto disse...

Em certa medida é épica, sim. Mas há muita sensibilidade neste teu canto de liberdade que foi contida...

beijo

Pata Negra disse...

Bom postal! Boa fotografia! Também tenho uma máquina mas está sem pilhas!
Ai se da Grécia continuarem a vir boas notícias, eu vou pedir-te para escreveres é uma cantiga, peço a outro amigo para a musicar e ponho o pessoal todo a bailar!
Um abraço que isto não é para brincadeiras

jrd disse...

"O Poeta -qual cadinho- atiça o fogo"

Abraço meu irmão

Carmem Grinheiro disse...

Temo adivinhar tempestades ainda escondidas pelo delírio das vitórias. Não sei se os deuses serão de facto, generosos.
abç amg

Maria disse...

Um dos poemas mais belos que já te li....

Beijo.

maceta disse...

até mesmo os Gregos gostariam de te ler...

abraço