sexta-feira, abril 29, 2016

OUSA O POETA O GESTO...

Ousa o poeta o gesto e traça o rosto
Paisagem límpida onde mergulha - cinzel de fogo e água
A burilar por dentro o corpo ígneo
De um poema aberto...

E então alarga o poeta a vertigem
E o espaço nítido e o murmúrio dos dedos
Na linha do dorso
E explorador
De emoções sôfrego
Colhe a palavra breve
Em que o poema ferve

E desbrava os montes e os vales
E as incógnitas e os percursos
Por onde o poeta -
Que assim quer!
Sem o saber
Longamente
Se perde...

E o poema arde!


Manuel Veiga

11 comentários:

Majo disse...

~ ~ ~
~~~ Este poema ardente está belíssimo!

Poeta , ávido «explorador de emoções»,

deixo-te um beijo amigo. ~~~

Rogerio G. V. Pereira disse...

Poeta que se preze
perde-se

E os versos em chamas!

Suzete Brainer disse...

O título é uma confissão do poeta ao poema, a ousadia no gesto
de um criador sobre a sua arte, como se uma escultura, o poema
fosse e nessa relação poeta e as palavras esculpidas,
metaforicamente o amor ardente acontecesse.
E o poema arde, expressando a sensualidade libertadora,
além do poeta, na própria beleza do gesto!...

Um poema encantador que nos captura na sedução esculpida.

Parabéns, Poeta!

Graça Pires disse...

Ousar a vertigem das emoções. Deixar que as palavras ardam por dentro do gesto para que o sonho se cumpra.
Um belíssimo poema, meu Amigo.
Um beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

Transfiguração sobre o processo da escrita, o momento em que o poeta "colhe a palavra breve", o momento do "fogo que arde sem se ver", "o cinzel de fogo e água/ a burilar por dentro o corpo ígneo".
E vou tirando o chapéu... me caro Manuel...
Forte abraço,

O Puma disse...

Tantos são os poetas a arder palavras
Que ardam
as palavras
mas fiquem os poetas
com um fósforo em riste

Abraço amigo

luisa disse...

Poeta ousado que incendeia palavras. :)

rosa-branca disse...

Um poema onde a alma arde e se perde...completamente. Um abraço com carinho

Maria Luisa Adães disse...

E o poeta sem o saber
longamente se perde...

Um belo poema. amigo!

Agradeço sua presença aqui e ali
e acendo o fósforo e ardo meus versos
talvez ressuscitem, mais tarde,


Com amizade

Maria Luísa

Armando Sena disse...

...e mergulhamos num sentimento de pertença.
ab

Agostinho disse...

Arde ternamente o poema incendiado.
Belíssima poesia.
Abraço