sexta-feira, maio 27, 2016

DESTE LADO DA PAISAGEM...


Nada. Absolutamente nada.
Apenas a brancura alva e a ave negra
A corroer por dentro a alma do poeta.
E a dúvida.

E a inesperada lágrima – sal e água –
Que tomba agora sobre a tela...

E alastra. E se derrama sobre a brancura.
E penetra imaculada na vibração
Da alma. Agora água...

E ergue-se tímida. E solfeja
A cor em que se derrama. E se desenha.
E o Espaço-Tempo. E o voo da ave. E o murmúrio
Em que se despenha...

E os olhos são agora apenas água.
Já não lágrima - cor a derramar-se
Como se vida fora.

E deste lado da paisagem
Onde nada acontece. Sal apenas - maremoto de alma.

Manuel Veiga






9 comentários:

POESIAS SENSUAIS E CONTOS disse...

Lindo poetar. Parabéns

José Carlos Sant Anna disse...

E solfejo, sem derramar-me, nota líquida ao rico poema, saudando-o do lado de cá da paisagem.
Abraços,

Jaime Portela disse...

Gostei deste teu maremoto poético...
Excelente poema, como sempre.
Veiga, tem um bom fim de semana.
Abraço.

Suzete Brainer disse...

Acho que acontece um mar nos olhos do poeta,
isso já é uma imensidão de beleza.
A tua poesia é sempre uma imensidão de beleza
que entra nos nossos olhos (leitores) e fica...

Sempre um privilégio ler-te, Poeta!

GL disse...

A lágrima que purifica.
Ella Fitzgerald que alimenta o sonho.
Há duos perfeitos.

Abraço.

AC disse...

Aí, poeta!!!

Abraço

luisa disse...

Onde há poesia, há tudo. É a paisagem que se refaz, que se reinventa.
:)

© Piedade Araújo Sol disse...

um maremoto de poesia
onde o sal se faz lágrima
e arte

muito belo

beijinhos

:)

Agostinho disse...

Pergunto: que fazer deste sal, Poeta?
Se a mágoa escorreu em água...

Um poema magnífico.

Abraço