domingo, abril 22, 2018

O BRONZE E O TIMBRE


Asas ainda. Latejante flor de Abril
Alvoroçada. E desvelos a inflamar gargantas.
E memórias. Como se o tempo fosse
Sentido único.Veredas que se soltam e se derramam
No excesso.

E os olhos em febre

Que nada nesse caudal é mesquinho:
Nem o canto, nem as lágrimas
Nem a desmesura
Das bandeiras.

A rudeza onde estendemos o pão
É pedra afeiçoada. E frutos que germinam
Nas margens. E se desprendem
Em maciez de bocas
Sôfregas.

Na altivez precária do porte
E dos gestos perfilam-se então antigos ritos
Que rebentam as grilhetas
De tão pródigos.

E no cerco dos dias presentes
Na cidade sitiada de sombras
Nos obscuros heróis corroídos
Herdeiros do medo e da fome

O bronze e o timbre
Modelam o rosto do tempo
E afeiçoam o imorredoiro grito.

Viva a Liberdade!...

Manuel Veiga

(poema reeditado)





8 comentários:

Olinda Melo disse...

Sim. Viva a Liberdade!
A sofreguidão do grito, da Boa Nova tão esperada quase que deixava sem fôlego as pobres almas ansiosas. E também o espanto perante essa flor alvoroçada que veio aquietar os nossos corações.
Que a nossa memória a conserve fresca e bem cheirosa.Que ela seja a fonte de outras boas memórias presentes e futuras.

Um grande abraço, Manuel.

Olinda

Larissa Santos disse...

Muito bom :))

Hoje:- Meus olhos vagueiam em teus lábios
.
Bjos
Votos de excelente Segunda -Feira

Graça Pires disse...

Só te posso citar, neste magnífico poema:
"Asas ainda. Latejante flor de Abril
Alvoroçada. E desvelos a inflamar gargantas.
E memórias. Como se o tempo fosse
Sentido único. Veredas que se soltam e se derramam
No excesso"
Viva a liberdade!
Uma boa semana, meu Amigo. Um beijo.

Teresa Almeida disse...

O teu poema tem a sabedoria e a entrega de Abril. Por mim, destaco a mesa onde estendemos o pão. É rude e afeiçoada. “E frutos germinam nas margens” .
Bravo, Manuel Veiga!

Beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

Et par le pouvoir d´un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Por te nommer
Liberté.

(Paul Éluard. POésie et Verité, Paris, 1942)

É preciso manter a chama acesa.
Um forte abraço, meu caro amigo!

Agostinho disse...

Viva, Manuel, viva a liberdade!
Que as asas desmesuradas cubram
toda a gente na cidade
e a vibração do bronze toque o cume...

Bela bandeira ergueste!
Abraço.

Ailime disse...

Um poema muito belo.
Viva a Liberdade!
Beijinhos,
Ailime

Ana Freire disse...

O espírito da liberdade e do inconformismo... o espírito de Abril... brilhantemente expressos, neste fervoroso poema!
Viva a Liberdade!
Beijinho
Ana