segunda-feira, abril 22, 2019

FLOR SANGUÍNEA ...


Na implosão de cravos fincam-se as raízes e a cor
Em bandeiras de luta – que os dias são ávidos
E o Futuro esgravata-se corpo a corpo
Nos trilhos e agruras do Presente.

E, neste tempo circular, mais pesado que chumbo,
Os muros são escombros a afirmar
O fracasso e a anunciar o estertor
De mitos poluídos.

E, no entanto, no arrepio dos dias uma memória
Perfumada. Uma pulsão e uma vertigem
A explodirem nos olhos

Que a Liberdade não tem métrica que a aprisione
Nem claustro, nem norma, nem mestres, nem barreiras
Que a detenham – fogo puro!

E ergue-se nas bocas, com seu nome de Igualdade,
Em apoteose de flor sanguínea tatuada
No corpo imaculado
Dos dias do Porvir.

Cristal aceso. Em noites de alvoroço
E no luzeiro das auroras.


Manuel Veiga




7 comentários:

Teresa Durães disse...

O 25 abril não foi da minha geração. Aliás, o que nos sobrou foi uma segurança social falida, uma economia falhada, um desemprego galopante. Eu sou filha da revolução, nascida na terra de ninguém. Tinha 5 anos. Cresci com Xutos e Pontapés. A carga pronta e metida nos contentores, adeus aos meus amores que me vou.E foram-se. Com heroína. Eu não, nunca quis drogas pesadas. Mas muitos morreram de overdose.
pra outro mundo

Ailime disse...

Boa tarde Manuel,
Um poema muito belo numa evocação ao 25 de Abril, que marcará a nossa História para sempre.
Viva Abril!
Um beijinho.
Ailime

Larissa Santos disse...

Um poema maravilhoso :))

Hoje:-Quando o sol brilha em desalento.

Bjos
Votos de uma óptima noite

Olinda Melo disse...

Olá, Manuel Veiga

Quem pensasse que já se tinha dito tudo sobre a Revolução de Abril e sobre a Liberdade terá aqui a prova, nesta forja de palavras de fogo puro, de que para nos mantermos livres necessário se torna derrubarem-se as barreiras que possam tolher-nos nestes dias ávidos do Presente. Dito com maestria.

Abraço

Olinda

Graça Pires disse...

E é bom pensar, meu amigo Manuel que " a Liberdade não tem métrica que a aprisione Nem claustro, nem norma, nem mestres, nem barreiras Que a detenham – fogo puro!"
Magnífico o teu poema!.
Viva a Liberdade! Um beijo.

Teresa Almeida disse...

É de quem viveu Abril e o sente pulsar . E os versos são passos contínuos e o futuro um cristal aceso.
E teu poema um luzeiro.
Abril sempre!

Beijo, amigo Manuel.

Ana Freire disse...

Maravilhoso... este florescer de Abril... nesta sua arrebatadora inspiração, Manuel!... Parabéns!
Beijinho!
Ana