domingo, maio 27, 2018

AZUL SEM MÁCULA...


Neste marulhar de memórias, a planura
E o azul sem mácula no voo
Do milhafre…

Os olhos são redemoinho das coisas
Que cegam como lâminas. Poeira dos dias
No percurso dos passos
E profundos rios.

Austera, a sede
De mil anos.

Lonjura e calcários. E desfiladeiros
Na inocência dos dedos que se alongam
Na irrupção dos sonhos…

Tudo é matriz e espanto
Na vastidão. Ardente.
E água e brisa no corpo líquido dos afectos.
Sopro de elísios ventos
A clamar por dentro
O sobressalto
Das nascentes.

E a afagar impolutas dores
Febre de cansada ave
No apelo do sangue.
E o regresso.

E o voo planado
Em círculo. A descer.
Ileso.


Manuel Veiga



5 comentários:

Larissa Santos disse...

Poema muito bom!

Hoje:- {Poetizano e Encantando} Ciúme, da minha ilusão sombria. .

Bjos
Votos de um óptimo Domingo.

Graça Pires disse...

Também quero voar no azul sem mácula do milhafre, e ver os desfiladeiros e a vastidão ardente, e ouvir os ventos no sobressalto das nascentes…
Quase fiquei sem fôlego ao ler este magnífico poema, meu Amigo.
Uma boa semana.
Um beijo.

Teresa Almeida disse...

"Tudo é matriz e espanto
Na vastidão. Ardente."

É este sentimento que experimento ao ler os teus poemas, meu amigo Manuel Nunca são fáceis, mas transmitem energia e um encantamento que aumenta a paixão pela escrita. É um privilégio passar por aqui.

Beijo.

Tais Luso de Carvalho disse...

Já tinha lido esse belo poema, e voltei para comentá-lo um pouco atrasada.
Que lindo, meu amigo, quisera ser eu uma ave gigante a plainar sobre planícies, planaltos e montanhas em total liberdade e num céu azul sem manchas, sem vento e sem predadores. Dá pra ver que sonho 'grande' - como se diz por aqui - Seria perfeito demais.
Muito bonito, Manuel, encanto de poema.
Uma linda semana, amigo.

Ana Freire disse...

Liberdade, e ancestralidade... neste impressionante vôo poético, Manuel!
Mais um trabalho brilhante! Parabéns!
Beijinho
Ana

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