quarta-feira, junho 13, 2018

AZUL MORDENTE...


Mordente azul e espiral acesa
Lume dos olhos e vertigem no tecer dos dedos.
Mágicas são as distâncias e os socalcos do tempo
A escorarem velados sonhos.

O corpo é dorso ofegante de quimeras
E o cavalgar indómito dos mostos
Frutos na extensão das margens
E lábios murmúrio de água.

Dias de espera no latejar do sangue
E prece muda.

E vorazes são os percursos
Na modulação das formas. E no registo
Pendular dos dias.

E na língua. E no palato das palavras
Deglutidas. E nos murmúrios.


Manuel Veiga

15 comentários:

Larissa Santos disse...

Muito bom:))


Hoje: - Adormecer na dor das palavras.

Bjos
Votos de uma óptima Quarta-Feira.

Teresa Almeida disse...

Em "vorazes percursos" cada verso é vertigem poética. E este "Azul mordente" é mais um excelente poema com a tua assinatura.

Beijinho, Manuel.

Smareis disse...

Um excelente poema!
Gostei muito de ler.
Continuação de boa semana!
Um abraço!
Escrevinhados da Vida

Ana Tapadas disse...

Ah, meu querido poeta neoclássico...meu R. Reis do século XXI!

Beijinho

manuela barroso disse...

O mosto precisa de tempo e este cavalga no dorso do tempo que nos molda . Resta- nos o sonho azul!
Poema fantástico
Beijo , Manuel

Pedro Luso disse...

Amigo Manuel, poeta é assim mesmo, vai buscando palavras para construir seu poema, guiado pela inspiração até que o termine, como ocorreu como este teu poema de invisível beleza. Parabéns meu amigo poeta.
Bom fim de semana.
Grande abraço.
Pedro

Suzete Brainer disse...

Começar pelo título, é lindo e originalíssimo!...

Percebo este azul no simbolismo do infinito, este infinito
de dentro, que guardamos os sonhos.
Mesmo na extremidade da realidade com o tempo, o espaço,
nos registros dos dias, das esperas e dos silêncios, as
palavras na poesia trazem este palato do "azul mordente",
que o poeta teceu em mágica "a escorarem velados sonhos".

"O corpo é dorso ofegante de quimeras
E o cavalgar indómito dos mostos
Frutos na extensão das margens
E lábios murmúrio de água."

O poeta tem esta plasticidade com as palavras
numa expressão rara de sofisticação, arte,
beleza e profundidade emotiva (o sentir genuíno
e simples) que me deixa encantada na leitura.

Saudade de te ler, Manuel.

beijo.

PS: Agradeço o teu comentário inteligente, atencioso
e a sensibilidade na leitura do meu poema...
Grata, meu amigo!

São disse...

Como sempre, um momento belo aqui oferecido por ti.


Grato abraço

deep disse...

Belas palavras.:)

Bom fim de semana. Bj

Tais Luso disse...

Poema de sensações intensas, de muita criatividade e beleza. Não diria que você se superou nesse poema, Manuel, você é sempre assim: quando diz, diz com força e propriedade.
Belo poema!
Beijo, um bom fim de semana.

Julia Tigeleiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Julia Tigeleiro disse...

Era o tempo das quimeras, dos vorazes murmúrios, e do azul mordente que os velados sonhos ansiavam...!Tão belo este poema Manuel. Um beijo e fique bem.

Jaime Portela disse...

Um grande poema.
Parabéns por mais esta pérola poética.
Bom fim de semana, caro Veiga.
Um abraço.

Ana Freire disse...

Maravilhoso, este espiral poético, que mergulha no azul profundo, da essência... do mar... do sonho... do céu... e nos dá a conhecer, esse fascinante universo... da alma das palavras... tão azul...
Mais um momento, de pura inspiração, Manuel! Parabéns!
Beijinho
Ana

Marta Vinhais disse...

Há sempre sonhos e palavras escritas a azul... no infinito...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta