sexta-feira, outubro 18, 2019

SEM TÍTULO...



1.
Enamoramento das palavras
No interior do poema. E a subversão
Do Mundo…

2.
Cadências mudas. E formação
De concordâncias. E a iminência de sílabas
E das salivas…

3.
Olhos nos lábios a desenharem
A desordem dos sentidos, E a orla do verso
E do reverso...

4.
Ninfas nuas e faunos
Em seus folguedos. E cítaras nos dedos.
Pagãos que somos...

5.
E puros...


Manuel Veiga   

3 comentários:

Teresa Almeida disse...

São assim teus poemas. E que bem os explicas!
É um poema germinado no poema - olhos nos lábios e cítaras nos dedos.

FABULOSO!

Grande abraço, meu amigo Manuel.

Olinda Melo disse...


Meu caro Poeta


Posso fazer uma apreciação, deste poema, muito minha?
Vou fazê-lo, do que lhe peço, desde já, mil perdões.
Para mim, a numeração destes conjuntos de versos traz-me, não sei de onde, a visão de uma via sacra. Passos que se vão sucedendo, numa reflexão sobre o conteúdo de cada verso, o interior do Poema vivido e rejubilado. Uma subversão do Mundo, expressão sua num dos seus poemas. Uma via sacra em que "Somos pagãos e puros" em folguedos musicais e divinos.
Um contra-senso, eu sei. :)

Abraço

Olinda

José Carlos Sant Anna disse...

Encadeamento teórico-poético a provocar e seduzir o leitor a pensar no que é o poema. E alguns caminhos são mostrados no desenho delineado com palavras-chave para cadeado entreaberto...
Um abraço, caro poeta!