quarta-feira, fevereiro 05, 2020

Escrita Maior Do Mundo



Derrama-se a palavra 
Leve fissura apenas. Milimétrica.
Na estrutura de que é feita.

Tensão da espera
A corroer por dentro
Sem plano
Ou guia...

Apenas o deslizar de água
Sobre a pedra. Alquimia do verso
E o incauto morfema...

E a inquietação do poeta
A engendrar as cores
Do poema.

E a dissolver a água
E a pedra nas dores
E alegrias da hora.

E na escrita maior
Do Mundo!...

Manuel Veiga


7 comentários:

Boop disse...

Desdobras o acto de escrever com um cuidado minucioso.
Desvendas o tremor de “o poeta” ao aventurar-se no lugar vazio que precede a palavra escrita.
E como se fórmula, furtivo, o encadeamento dos fonemas.
Sabes....
Gostava de saber escrever assim!
(A inveja é para mim uma coisa boa, de reconhecimento do outro e da vontade de sermos melhores - pelo menos esta inveja de que aqui falo!)

Megy Maia disse...

As suas palavras são tão minuciosa.
Tento aprender algo com as mesmas.
Nunca me arrependo de as ler.
Um sorriso de luz.
Megy Maia

Marta Vinhais disse...

As palavras falam... basta apenas escutá-las para que se derramem em nós...
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

José Carlos Sant Anna disse...

Eis o poeta. Sempre abismado com as palavras, buscando dentro de si o modo de “arranjá-las” para pôr no papel tudo aquilo que foi e o que poderia ter sido... Nesta luta, é sempre madrugada para o poeta!
Um abraço, caro amigo Manuel!

Teresa Almeida disse...

Poeta inquieto e perfecionista.
A palavra de Manuel Veiga desliza com naturalidade e plena de harmonia substância.

"Apenas o deslizar de água
Sobre a pedra. Alquimia do verso
E o incauto morfema..."

Um beijo, caro amigo.

Teresa Almeida disse...

Ressalvo "plena de harmonia e substância".

Ana Freire disse...

Grandioso este seu aguarelar poético, Manuel... que, se não se importar... destacarei por lá no meu canto, qualquer dia... para decidir ainda, se o combino com água doce... ou salgada... em termos de fotografia...
Beijinho!
Ana

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