quinta-feira, julho 16, 2020

Memória Dos Espelhos


1.
Bailado de sílabas. Mudas.
E bocas nuas. A derramarem-se.
Excessivas

E a incendiarem-se

Lábios e palato.
E línguas a derreterem-se.
Gustativas

E o cântico atonal
Das horas.

2.
E a imolação dos rostos
E o perfilar de
Máscaras

Reflexo de palavras
Lúcidas. E memória dos espelhos
Que resistem…


Manuel Veiga


11 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Poema fantástico! :))
--
Beijos. Boa noite!

" R y k @ r d o " disse...

Sempre fascinantes os seus poemas. Gostei muito de ler

Cumprimentos

Teresa Almeida disse...

Jogas com as sílabas como quem toca acordes de violino. E hoje, rompem a aurora, sentem-se vibrar... E "a derramarem-se excessivas", tocam os sentidos de quem lê.

Assim, meu amigo Manuel Veiga, vale a pena escrever.

Um beijo matinal.

Maria João Brito de Sousa disse...

Belo!

Abraço, Manuel!

Ana Tapadas disse...

Querido amigo, as palavras que juntas transmudam-se em poesia pura!

Beijo

São disse...

Se a minha querida Ana Tapadas me permite, subscrevo o seu comentário.

A voz de Teresa Salgueiro é magnífica e eu adoro esta canção.

Te abraço, meu amigo.

São disse...

Adenda:
Não é "esta" , mas sim "estas"!

Olinda Melo disse...


Caro Manuel Veiga

Tentada a ler este Poema de baixo para cima, atraída pela "memória dos espelhos que resistem".
Disse-me alguém que os espelhos reproduzem os nossos rostos, pois só assim é possível vermos como nós somos. Daí, talvez, a sua importância e presença neste belo e enigmático Poema.
Quando as sílabas bailam ao ponto de se tornaram em cicio, e toda a anatomia toma parte e o tempo é apenas acessório, então sim, as palavras se reconstroem e mostram-se em toda a sua plenitude. Tudo faz sentido e as máscaras se anulam.
Apenas os espelhos resistem e registam o instante.

Sempre a admirá-lo , meu amigo.

Abraço

Olinda

Graça Pires disse...

Depois das tuas palavras tão belas, fiquei a ouvir o cântico outonal das horas. Sem espelhos por perto...
Uma boa semana com muita saúde meu Amigo.
Um beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

Um bela metáfora do ato de escrever, que o poeta nos convida a conhecer ao seu lado este caminho. E a música nos desperta subitamente do outro lado!
Um abraço, caro amigo!

lis disse...

Sempre 'um bailado de sílabas'que sim,resistem!
- que sejam também derramadas excessivamente, mVeiga
e que incendeiem seus leitores.
meu abraço e admiração

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