quarta-feira, dezembro 30, 2020

ASSIM O VENTO SE SOLTE...


Para o António,

meu neto.


Talvez o momento seja voo de milhafre

Planando de encontro ao vento. Ou estultícia de poeta

A filtrar o Tempo. Pelos dedos.

 

Talvez seja vertigem. Ou os sentidos em cascata

A derramarem-se, como os braços do salgueiro.

Ou seja talvez moinho em canto d´água.

Ou a pedra de soleira...

 

Talvez o momento seja passagem das horas

E murmúrio de oração. Ou mulheres de negro

Embiocadas – epopeias de silêncios...

 

Talvez sejam as cálidas mãos dos homens.

Pousadas sobre a mesa e o pão repartido.

E a criança atónita espreitando o ritual

E o vinho nas gargantas ressequidas.

E o delírio da festa.

E as vãs colheitas.

 

Talvez os corredores da memória

Sejam espaço afadigado em estertor de ave.

Já sem ninho. E que teima no calor das penas...

 

Assim o vento se solte em novas profecias.

E todos os rostos em coro venham

Entoar bênçãos em teu nome,

António!

Manuel Veiga

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Compomissos assumidos com a Editora

obrigam-me a dedicar maior atenção aos próximos livros

(um livro de poesia e um romance),

que espero sejam publcados, com o fim da pandemia

Não me dispensarei da publicação regular, nem da leitura dos meus blogues de estimação

e farei "prova de vida", se for caso disso rss ...

M. V.

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