Para o António,
meu neto.
Talvez o momento seja
voo de milhafre
Planando de
encontro ao vento. Ou estultícia de poeta
A filtrar o Tempo.
Pelos dedos.
Talvez seja
vertigem. Ou os sentidos em cascata
A derramarem-se,
como os braços do salgueiro.
Ou seja talvez moinho
em canto d´água.
Ou a pedra de
soleira...
Talvez o momento
seja passagem das horas
E murmúrio de
oração. Ou mulheres de negro
Embiocadas – epopeias
de silêncios...
Talvez sejam as
cálidas mãos dos homens.
Pousadas sobre a
mesa e o pão repartido.
E a criança atónita
espreitando o ritual
E o vinho nas
gargantas ressequidas.
E o delírio da
festa.
E as vãs
colheitas.
Talvez os
corredores da memória
Sejam espaço
afadigado em estertor de ave.
Já sem ninho. E
que teima no calor das penas...
Assim o vento se
solte em novas profecias.
E todos os rostos
em coro venham
Entoar bênçãos em
teu nome,
António!
Manuel Veiga
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Compomissos assumidos com a Editora
obrigam-me a dedicar maior atenção aos próximos livros
(um livro de poesia e um romance),
que espero sejam publcados, com o fim da pandemia
Não me dispensarei da publicação regular, nem da leitura dos meus blogues de estimação
e farei "prova de vida", se for caso disso rss ...
M. V.
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