De espadas e maus encontros
Estão os caminhos cheios...
Porém,
Do sangue apenas o fervor e a voz
Que me percorrem. Fora esse,
apenas o sangue
Que farejo no barroco empolgante
de Coppola
Nos mistérios nocturnos da
Transilvânia
Nas oníricas danças das Parcas
No mistério decadente dos
vampiros
E no absoluto amor do conde de
Drácula...
E apenas o sangue da fêmea com
cio
Ou arrancado ao peito para
alimento dos famintos
Ou o sangue selo secreto
Das cumplicidades da vida.
Ou o sangue abortado de uma flor
vermelha
Ou o virginal rubor das manhãs
sem nome
Que me entram pela janela...
Ou a ceifeira morta. Ou a papoila
decepada...
Ou o vermelho da romã nos lábios
febris
Do beijo primevo.
Ou então o sangue quente do vinho
E do mel. Em que ondas expludo e
teimo
Para além dos caminhos, dos encontros
E desencontros…
Este o meu sangue – tomai e bebei...
Manuel Veiga
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