sexta-feira, fevereiro 05, 2021

TOMAI E BEBEI - ESTE MEU SANGUE

 

De espadas e maus encontros 

Estão os caminhos cheios...

 

Porém,

Do sangue apenas o fervor e a voz

Que me percorrem. Fora esse, apenas o sangue

Que farejo no barroco empolgante de Coppola

Nos mistérios nocturnos da Transilvânia

Nas oníricas danças das Parcas

No mistério decadente dos vampiros

E no absoluto amor do conde de Drácula...

 

E apenas o sangue da fêmea com cio

Ou arrancado ao peito para alimento dos famintos

Ou o sangue selo secreto

Das cumplicidades da vida.

 

Ou o sangue abortado de uma flor vermelha

Ou o virginal rubor das manhãs sem nome

Que me entram pela janela...

 

Ou a ceifeira morta. Ou a papoila decepada...

Ou o vermelho da romã nos lábios febris

Do beijo primevo.

 

Ou então o sangue quente do vinho

E do mel. Em que ondas expludo e teimo

Para além dos caminhos, dos encontros

E desencontros…

 

Este o meu sangue – tomai e bebei...


Manuel Veiga

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