terça-feira, dezembro 16, 2014

CURVAM-SE OS DIAS...


Curvam-se os dias. E no declive
A íntima inquietude de meus passos...

Amável embora a sombra espraia-se
Em azul neutro. Névoa desprendida
A derramar prenúncios. Quase tímida.
Dulcificando a erosão da cor e abrindo-se
Vagabunda ao seu destino espúrio...

Sem alardes. Que nada pode a subtileza do voo
Nem a coada luz da nuvem...

Apenas a rota das trevas e a imanência do sopro
A moldar a curva e a frágil senda
E os calcinados sonhos
Do poeta...

Manuel Veiga



11 comentários:

Graça Sampaio disse...

Lembrei-me de uma insustentável leveza do ser...

como se nos deslocássemos como fantasmas e como almas panássemos por aí...

(estou muito para o cinzento névoa, desculpa-me, querido heretico)

Teresa Durães disse...

Que esses sonhos consigam desprender-se de novo.

Majo disse...

~
~ A capacidade de sonhar retornará,
~ Como uma fabulosa Fénix renascida.
~ A névoa baça e espúria desaparecerá
~ E o estro do Poeta de novo brilhará,
~ Ainda que se curvem os dias e a vida.

~ ~ ~ Abraço amigo. ~ ~ ~

~ Ps ~ Desculpe a singeleza da "gracinha".

Lídia Borges disse...



Os declives, a inquietude, a névoa "quase tímida", o destino espúrio...


Uma tela a precisar de cor, diria, não fossem já as palavras o colorido das mãos.

Bj.

Helena disse...

"E no declive
A íntima inquietude de meus passos..."

Como pode os calcinados sonhos do poeta produzir versos tão significativamente lindos...?

Rogerio G. V. Pereira disse...

(Bonito, isto!)

Lune Fragmentos da noite com flores disse...

Um dia, 'roubo-te' um poema... como este. Divino.

Beijos

Andrea Liette disse...

Fazer da palavra a matéria sutil da poesia: a arte do poeta.

Lindo, lindo!

Um beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...

e que esses sonhos sejam fogo renascido, porque o Poeta não pode calcinar sonhos nenhuns...

:)

jawaa disse...


Outro belo poema teu, quem sabe a celebrar aleluias.
Um abraço

jrd disse...

Dos dias, a inquietação pode anunciar que outros e melhores virão,

Abraço fraterno daqui do longe