segunda-feira, outubro 26, 2015

Acerca de uma Tertúlia


Vieram afluentes e diversos. De desassossegos apenas
Cobertos. E pétalas de bem-querer
De mão em mão. Como se poemas desfolhados
Fossem. A dulcificar a noite
E amaciar a escuridão...  

Os deuses, lá no alto
Sorriam irónicos e benignos!

E os poetas escavavam então porfiados
A palavra Paz e seus sentidos. Como quem busca
A Semente ou a Raiz. Ou talvez
A emergência de um novo Graal.

Crianças inebriadas
A decifrar a gramática do Mundo.
E suas dores fecundas.

(Lá fora, um poema aberto, que germina
No rumor da História. Declinado
No perplexo rosto de nossos dias...)

 Manuel Veiga






8 comentários:

Lídia Borges disse...


Gente bonita, mesmo! E um poema de que não faço parte, muito contra a minha vontade...


Bj.

Lídia

heretico disse...

... mas a tua poesia esteve presente, Lídia.

beijo

Genny Xavier disse...

Versos festejados em reunião de aedos... Versos para a lira e a lida dos dias...
Ah...quisera o mar não tão longe...e longo...e vasto...tomaria um vinho para degustar poemas com amigos...

Beijos, poeta.
Genny

Graça Pires disse...

Que bem que classificas os poetas:
"Crianças inebriadas
A decifrar a gramática do Mundo".
Foi um momento lindo onde se percebeu no olhar de cada poeta uma esperança, o desejo de um mundo melhor. Haverá palavras que nos ajudem a conseguir isso?
Obrigada, meu amigo Manuel.
Um beijo.

Mar Arável disse...

Disseste-me que também lá estive

Grato meu irmão

Suzete Brainer disse...

"Os poemas desfolhados" pelas
"Crianças inebriadas a decifrar
a gramática do mundo".
Os poetas têm um olhar e sementes de
palavras que revolucionam, espalhando
uma loucura adorável...
Grata pela partilha!!
beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...

deve ter sido uma belíssima tertúlia...

meu beijo

:)

Salete disse...

"(Lá fora, um poema aberto, que germina
No rumor da História. Declinado
No perplexo rosto de nossos dias...)"

Seu poema é maravilhoso.Parabéns.