domingo, novembro 10, 2019

CONSUMAÇÃO DE PRODÍGIOS


No indizível magma em que todas as formas
Se demandam – movimentos de alma
E tempestade dos corpos…

E tudo freme em agitação
E no arbítrio dos Acasos…

No eterno sopro dos Nomes
Onde as salivas são pomares
E absurdas metafísicas
E grão de sal a percorrer
O interior das águas
E a erguer a majestade
Dos Oceanos…

Nesse Tempo sem tempo
Em que as memórias
São apenas resgate
E o Devir é fermento
De altivas glórias
E apocalípticos
Lugares …

E na libertação triunfal de Eros
Nessa metamorfose de mostos
E consumação de prodígios
E amorosa dádiva …

Inscrevo o primordial grito – raiz de Língua!
E reclamo a Festa de teu corpo
E minha Fala eufórica – girândola
De fogo e água…

Manuel Veiga



9 comentários:

Larissa Santos disse...

Bom dia
Poema e musica, magistral:))

Hoje-:-Somos a base que nos eleva, somos emoção

Bjos
Votos de uma óptima Segunda - Feira.

Marta Vinhais disse...

O tempo a falar sempre de amor...
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

Graça Pires disse...

A libertação triunfal de Eros a reclamar a festa de um corpo… Magnífico!
Uma boa semana, meu Amigo.
Um beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

E o que mais é premente. meu caro Manuel? Seguimos o ritmo do poema pela enumeração anafórica e pausada dos elementos que desaguarão na "libertação triunfal de Eros". Palavra e corpo, por vezes, se confundem, mas não se deve perder de vista que o acesso ao corpo ocorre pela mediação da palavra...
No mais é render-se à sua linguagem poética...
Um abraço, caro amigo Manuel!

Pedro Luso disse...

Gostei muito deste seu poema, amigo Manuel, que se inicia com estes belos versos:

“No indizível magma em que todas as formas
Se demandam – movimentos de alma
E tempestade dos corpos…”

E que se encerra com este seu canto:

“Inscrevo o primordial grito – raiz de Língua!
E reclamo a Festa de teu corpo
E minha Fala eufórica – girândola
De fogo e água…”

Parabéns, amigo Manuel!
Uma boa semana, com muita inspiração, Poeta!
Um abraço.
Pedro

Olinda Melo disse...


Neste percurso, prenhe de etapas, vamos seguindo
o Poeta nas suas palavras e tomando nota e parte
nessa metamorfose apoteótica que se consuma numa
festa de prodígios, no "grito primordial em girândola
de fogo e água".

Belo Poema, meu amigo. Grande e inspirado momento de
escrita e, para nós, de bela leitura.

Abraço

Olinda

Ninfa Azul disse...

Es un placer para mi encontrar,tan bellos poemas, como apasionada de la mitología,Griega,me gusta la historia de Eros como Dios del amor, la fertilidad, la sexualidad,como hijo de Afrodita, y más.
También otros muy fascinantes, te felicito, y me felicito, por encontrarte.
Un abrazo

Tais Luso disse...

Uma leitura muito linda fiz aqui juntamente com o vídeo a soltar uma bela voz!
Aplausos sempre, meu amigo Manuel!
Um beijo.

Nesse Tempo sem tempo
Em que as memórias
São apenas resgate
E o Devir é fermento
De altivas glórias
E apocalípticos
Lugares …

Teresa Almeida disse...

Agitam-se as palavras para dizer do amor. A poesia como fascínio mitológico dada a intensidade com que o corpo a festeja.
Deixas um poema em que se viaja a gosto. E inscreves o primordial grito - raiz da Língua.
É um poema notável, caro amigo Manuel Veiga.
Parabéns.

Um beijo.