quarta-feira, junho 22, 2022

Nem Reino, nem Glória

 


Nem reino, nem glória!

Apenas os sapatos gastos e a poeira

Dos caminhos. E uma reluzente pedrinha

A brilhar por entre os dedos.

Valiosa.

 

O salgueiro como, sempre, ali permanece

A oferecer sua sombra. E o rio.

Agora seco nas cascatas

Da memória.

 

E o freixo. E o canto do melro

A agitar-se em cio.

E também a menina de A. de Campos

Às portas da Tabacaria.

(a comer chocolates, está claro!)

 

E a inamovível pedra em que me sento.

Que me importa a mim a verdade

E a mentira! passa, tudo passa.

Apenas uma reluzente

Pedra me interessa

Passando de mão em mão

E a gargalhada dos deuses

E uma última jogada…

 

Manuel Veiga

22.06.22

 

 

9 comentários:

Emília Pinto disse...

Sou do tempo dos " açafates " repletos de petiscos preparados com carinho que depois seguiam em cortejo até ao adro da igreja e aí eram leiloados em beneficio da paróquia; a igreja estava sempre em primeiro lugar. Tive a felicidade de declinar a " rosa rosae " e outras , mas também vi muitos pés descalços nos caminhos de terra, com os carros de bois que levantavam o pó, cobrindo as amoras que nós, crianças adoravamos comer. Havia, na melhor das hipóteses, os tamancos de madeira e as chancas, tentando proteger os pés cansados de tanto trabalho. Agora, o pó também se levanta pela seca que assola o nosso país, mas, mesmo assim, acho que há grandes diferenças; a miséria não é tão grande e os pés não usam tamacos e muito menos meias de lá de ovelha, ásperas e desconfortáveis. Vi tudo isso, Manuel e fico feliz por ver a minha aldeia muito melhor em todos os aspectos. Há muito não vinha aqui, mas gostei de poder vir cá hoje. Um beijinho e saúde para todos vós
Emilia

Tais Luso de Carvalho disse...

Um poema que me deu grande satisfação em ler,
poema esse que deixa no seu rastro a marca indelével, do
talentoso amigo e poeta Manuel Veiga!
Aplausos, Manuel!
Um feliz fim de semana e saúde e paz para toda a família.
Um beijo.

São disse...

Mais um poema que me agradou muitissimo.

Joguemos aos dados, então, mesmo sob a indiferença dos deuses.

Abraço , meu amigo, bom final de semana.

Juvenal Nunes disse...

Apreciei bastante o poema, só espero que essa pedrinha não seja um entrave à engrenagem.
Abraço amigo.
Juvenal Nunes

lis disse...

A única alternativa é a vitória ,mVeiga
sem reino, mas gloriosa!
Achei lindo o salgueiro, o rio nas cascatas,
o canto do melro, a menina ...
Batalha ganha nos poemas que deixas aqui,
com meu abraço grande ,de parabéns!

Jaime Portela disse...

O A. Campos gostaria de ter lido este poema.
Apesar das pedras e da gargalhada dos deuses...
Excelente, os meus aplausos.
Boa semana, caro Veiga.
Um forte abraço.

Graça Pires disse...

A poeira dos caminhos que pisamos é que conta os dias que nos prendem ao chão, mesmo que os deuses riam e continuemos a ler Álvaro de Campos. Belíssimo, o teu poema.
Tudo de bom para ti. Uma boa semana.
Um beijo.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...


a poeira dos caminhos que indiferente vai ficando.
um poema bem ao estilo do talento do MV.
e, será que os deus também dão gargalhadas?!
se calhar....

boa semana
;)

stella disse...

Todo pasa, pero quedaran nuestros poemas
Ha sido un placer leerte
Un abrazo


Te dejo el enlace de mi blog de poemas por si quieres pasar

https://calzandosentimientos.blogspot.com






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