sexta-feira, junho 14, 2024

POMARES EM NOSSOS LÁBIOS

 

Uma leve sombra

E algumas palavras crespas

Pequena ruga na cambraia

Dos afectos – murmúrio de brisas

A adejar na pele…

 

Em verdade – coisa de nada!..

Apenas frémito alvoroçado

E o cântico de água

Na cascata

De teus olhos

Que os jardins onde poisamos

São pomares em nossos lábios

E aroma de amores

Perfeitos

A dizerem-se sede

E campo de folguedos

Tão nossos....


Manuel Veiga

 

4 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Tão belo!
Abraço e saúde

Maria João Brito de Sousa disse...

Esplêndido poema, Manuel.

Um abraço!

lis disse...

'tão nossos'
... e tão lindo !
Bravo, mVeiga
nada mais perfeito que seus poemas.

Olinda Melo disse...

Campo de folguedos tão nossos!
Lindo, lindo, Manuel Veiga.
E toda a envolvência, o jardim,
os pomares, levam o poema a um
nível muito especial.
Gostei muito. Um dos seus momentos
poéticos mais belos.
Abraço.
Olinda

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Assento meus passos nas raízes Que talham meu porte E prossigo   Minha sede É murmúrio das nascentes E calor de solstícios  ...