… Retomo o discurso no ponto em que estávamos!
Nada do que ficou dito merece outro registo
A não ser o vácuo aceso das palavras
Que se alinham irrestritas.
Na verdade que importa o tempo e o modo
Em que as palavras foram ditas? Depois de escritas nada
Nas palavras ditas permanece noutras palavras
Que jazem mortas. Antes de serem escritas…
Desditas as palavras continuam ditas!...
E na verdade inscritas noutras palavras
Que embora ainda não ditas serão logo desditas.
Cacofonia das palavras ditas. Tempo e Modo e o vazio
Das palavras que uma vez ditas serão logo escritas
No som das palavras que embora desditas
Serão sempre ditas…
… Retomo o discurso no ponto em que estávamos!
Manuel Veiga
In PERFIL dos DIAS – Pág. 104
Edição MODOCROMIA
13 comentários:
Palavras ditas e/ou escritas em versos sublimes.
.
Cumprimentos
Cuide-se
Muito interessante, este poema!
-
Uma estrada vazia, um silêncio no ar
Beijo e um excelente dia! :)
Palavras ditas num poema de difícil interpretação. Pelo menos para a minha ignorância.
Abraço
Adoro textos - poéticos ou não sobre - as palavras. E este está muito bom! Diferente do que o Poeta nos habituou. Mas igualmente muito bom!
Beijinho
Poema hipermoderno e tão enquadrado nos tempos que vivemos. Onde vamos? Não sabemos. Vamos vagueando nas palavras e voltamos ao ponto em que estávamos.
Não deixa de haver grande acutilância nesta constatação.
Gosto imenso de deambular pelo teu poema, entre sons que afinal ficam inscritos nas palavras. E cada leitor fará a sua própria viagem. Reside aí, também, o fascínio da poesia.
Um abraço, meu caro amigo Manuel.
Caro Manuel,
Outra vez o poeta “brinca” com o papel atribuído à palavra e ao ato de dizê-la numa circularidade que o esclarece pela contaminação significante na reiteração de dizê-la.
Muito bom, meu caro Manuel!
Um abraço,
Sutileza.
Imaginação,
_ e depois que fez as palavras voarem,se'ditas ou desditas',
já teve eco entre nós.
Vamos retomar o discurso mVeiga
Sim, é essencial retomar as palavras no ponto em que ficam,
sem cerceadura de espécie alguma. Tudo dito e explicado.
Depois de ditas e escritas já não se anulam, no sentido
de desdizê-las. A sua essência permanece.
E é tão verdade o que diz ,caro Poeta: "Desditas as palavras
continuam ditas!"
E se ao arrepio do que ficou dito as encontrarmos inseridas
noutras, já não, talvez, com o mesmo significado mas sabendo que
elas continuam ali e que serão desditas, porque o tempo e o
modo não são os mesmos?
Cacofonia ou pescadinha de rabo na boca.
Já dizia alguém muito próximo de mim: "O que contamina o
homem é o que sai da boca para fora " Nas palavras nos
salvamos mas também através delas nos perdemos.
Manuel Veiga, esta é uma das suas mais belas composições poéticas.
Talvez, extrapolando, encontro-lhe crítica pela volubilidade do que
se diz, do que se afirma, pela desvalorização da palavra dada ou
ou dita ou escrita.
Abraço
Olinda
É melhor retomares o discurso no ponto em que estávamos… Deambulo pelo poema, pelas palavras ditas e pelas desditas, e pelas escritas e pelas sempre ditas… Só tu para me deixares a cabeça à roda…
Foi bom ouvir o Zeca e o Adriano.
Muita saúde.
Um beijo.
Caro Manuel Veiga
Leio a tua palavra feita
de muitas palavras e sons e
ao lê-la ouço-a e vejo-a
na ingénua fragilidade resistente
das coisas efémeras que nascem
se erguem e morrem em simultâneo
no mesmo instante
Contudo fica a sua ressonância
a percorrer o labiríntico ouvido
até à cerebral sedimentação
prontas a para reanimação
a cada madrugada por nascer
A palavra contém fermento de longevidade:
há-de renascer leve e pura
a cada Poema escrito e dito
Por isso te leio e ouço
as mesmas sempre novas
Poesias
Abraço
Hay palabras que nunca nacen.
Que se abortan.
Que quedan sepultadas por otras palabras que llegan después
y se imponen.
Palabras dichas que se desdicen.
Palabras que se fraguan pero cuyo acero
las deja inservibles para el combate de las palabras.
Hay palabras a medio hacer a medio crecer
y palabras que mueren por el camino.
¿Cuántas palabras que alumbramos van a dar luz
o van a transcurrir reforzando la oscuridad?
Pequeña palabra de los días
naciendo y muriendo entre nuestras vísceras.
Salud.
¿Conoces este poema del mejicano Octavio Paz sobre las palabras?
"Dales la vuelta,
cógelas del rabo (chillen, putas),
azótalas,
dales azúcar en la boca a las rejegas,
ínflalas, globos, pínchalas,
sórbeles sangre y tuétanos,
sécalas,
cápalas,
písalas, gallo galante,
tuérceles el gaznate, cocinero,
desplúmalas,
destrípalas, toro,
buey, arrástralas,
hazlas, poeta,
haz que se traguen todas sus palabras."
Há palavras que ficam eternamente esquecidas... e outras que perduram porque há muitos sentimentos que a ligam...
Beijos e abraços
Marta
Enviar um comentário