terça-feira, abril 13, 2021

DESTILAÇÕES

 

 

Destilo meus detritos – os livros

Que não li, as viagens que ficaram,

Os amores que não colhi …

 

E a esse magma em ebulição

Adiciono uma pitada de minhas dores

E quedo-me no crepitar

Das chamas…

 

E, então, neste alambique de horas gastas

Soletro ainda o perfume

 

Que incendeia. E o alvoroço

Da lágrima

 

A desprender, gota a gota,

Como se fora lágrima verdadeira

 

Manuel Veiga

 

 

13 comentários:

" R y k @ r d o " disse...

E assim se escreve sublime poesia. Gostei demais deste poema. Simplesmente sublime.
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Abraço poético.
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Pensamentos e Devaneios Poéticos
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© Piedade Araújo Sol disse...

MV

um poema que denota um certo desalento.
mas, precisamos olhar e seguir em frente.
sempre!
mesmo com estes tempos conturbados.
Boa semana com paz e saúde.

:)

Agostinho disse...

Digo, Manuel, que valeu a pena vir.
Depois de andar a nadar no smartphone e me afogar, parece-me que é desta.
Primeiro espero que tudo vá bem por aí. Com os imprevistos, imprevidências e azares o cadafalso é montado em qualquer lado (já estou semipfizerado).
O poema é muito bonito mas sinto-lhe alguma melancolia.
Um abraço amigo.

Janita disse...

Sempre interessantes as palavras que aqui leio.
Nem sempre jubilosas, nem sempre esperançosas.
Mas... o que seria dos Poetas se não houvesse o desalento?

Gostei.

Um abraço.

José Carlos Sant Anna disse...

Procurei o fio que sustenta, digamos as razões para a destilação - recusei o plural porque é melhor fechar a boca e abrir os ouvidos, pois aqui a linguagem é sempre singular com ou sem desalento.
Um abraço, caro Manuel!

Teresa Almeida disse...

Sentimentos que se entrecruzam entre perdas e alvoroços.

E sempre a chama da poesia. E o perfume do verso.

Grande abraço, poeta.


Olinda Melo disse...


As dores do Poeta que se interpenetram com as dores do mundo, joeiradas e emotivas.

E essa lágrima, como se verdadeira fora...em cada gota nos revemos.

Poema belo, um olhar aparentemente introspectivo, que convida à reflexão.

Abraço, Manuel Veiga.
Olinda

Tais Luso disse...

Como não se viver ou não presenciar essa mistura ou um turbilhão de sentimentos num triste momento de nossas vidas que torna tudo igual em todos os povos e em todos os lugares? Um sofrimento global, um momento que nos intimida, que nos estressa e que nos deprime?
Tenho observado muito os poetas, que por natureza são muito sensíveis, a escreverem poemas muito significativos e belos, exatamente nesse período. Acho que é quando a razão deixa o coração falar. É sofrido seu poema, mas muito belo, meu amigo!
Um bom fim de semana, Manuel,
beijo.

Maria Lucia (Centelha) disse...

Excelente poetar, Manuel!
O ritmo, a harmonia se fazem presentes nesse poema cujas palavras foram selecionadas com primor. Parabéns. Abraços.

Juvenal Nunes disse...

Emana do poema a ineficácia que resulta daquilo que não se conseguiu concretizar.
Não é uma renúncia, mas há nele um sentimento que compunge.
Abraço poético.
Juvenal Nunes

stella disse...

Casualmente llego a tu blog, he estado años alejada del mío y ahora que lo he retomado pienso disfrutar de las inspiraciones de los poetas, me ha gustado leerte, si quieres te invito a pasar por el miio
Un saludo
Carmen

Manuel Veiga disse...

Juvenal Nunes,

grato pelo seu olhar sobre o meu poema, que se reconhce ser (ou parecer) um tanto sombrio

mas repare,
as lagrimas são lagrimas de fingimento
e ... alvoroçadas
e teima o poeta num "perfume que incendeia"

grato

São disse...

Os teus poemas chegam-me sempre fundo e eu gostei muitissimo deste.

Abraço e que estejas bem!

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