sexta-feira, junho 02, 2023

FRÉMITO--


Fermente esvoaçar da pele em murmúrio

(Quase) mudo. Levíssimo sopro de teus braços

A envolver o arfar do peito em círculo fechado

Tão íntimo que nem sequer o rubor fala

E tão discreto como se fora suave acaso e

Nenhum mistério…

 

E, no entanto, sem palavras (proibidas)

Ambos nos sabemos, mais do que somos:

Tu és argúcia e capricho. E a chama que

Reclama. Eu sou a tentação e o corpo exposto.

E a obscura configuração do Desejo –

Como se tu foras meu pasto.


Manuel Veiga


4 comentários:

Maria João Brito de Sousa disse...

Esplêndido poema, este FRÉMITO!

Um abraço, Manuel!

" R y k @ r d o " disse...

Poema deslumbrante de ler
.
Um feliz fim de semana
.
Pensamentos e Devaneios Poéticos
.

Olinda Melo disse...

Olá, Manuel Veiga
Como se pode dizer coisas tão belas e profundas, assim com essa simplicidade que desarma?
Dizer que não me canso de ler este Poema e deixar-me penetrar por esse encanto é pouco.
Obrigada por nos dar a ler uma das suas mais lindas composições poéticas.
Abraço
Olinda

Ailime disse...

Boa tarde Manuel,
Que poema tão belo!
«Ambos nos sabemos, mais do que somos:»
Uma bela definição de amor mútuo.
Beijinhos e continuação de boa semana.
Ailime

NA ORLA DOS LÁBIOS...

  O poema desenha-se na orla dos lábios Na íntima tensão do verbo antes de explodir Itinerário de sombra rente à luz   Ou murmúrio...