sexta-feira, janeiro 30, 2015

terça-feira, janeiro 27, 2015

POSTAL DE ATENAS...


Generosos são os deuses que tecem filigranas
No corpo da noite...

Sempre ali estiveram as ilhas. Meus olhos
É que tardaram nessa bebedeira do sonho...

O voo é esta reclinação do tempo. Dispo-me
De mim e mergulho no magma. Como outrora
A cobiça dos impérios criava tempestades...

Pepitas luminosas no colar de Athena
As ilhas sempre ali foram. Homens e impérios
As profanaram no impudor da guerra. E no delírio
Das vitórias.

Gargantas bárbaras por onde escorre vinho
Generoso. Subtil veneno que entorpece
Como lento remoer da insubmissa espera...

Sou herdeiro desta miragem. Da infinita doçura
Que sara os golpes. E da mão que vinga.
E do apolíneo gesto que rasga a pedra.

E do bronze da história que clama.

E que reclama...
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Regresso agora. Ítaca reinventada. Pátria minha.
Ferida aberta...


Manuel Veiga – in “Poemas Cativos”


sábado, janeiro 24, 2015