sábado, junho 16, 2018

Todos os Rios São a Mesma Sede



Para a minha amiga Suzete Brainer
distinta Poetisa brasileira

(Evocando o seu recente Poema "Sem Palavras")


São os deuses traiçoeiros em seu delírio
E das pátrias decidem as bandeiras
Como destino dos homens.

Em cada dor, porém, uma tempestade
E um rasgo de mãos acesas
Sem fronteiras.

Nada do que é humano respira sozinho
E os Povos não reconhecem oceanos
E todos os rios são a mesma sede
E crestados lábios.

E todas as fomes se somam
E todas as angústias são látego colectivo.

E em cada luta há sempre um afago indefinido
E em cada muro um grito subterrâneo
Que explode em cada gesto
De dizê-lo.

Nada os deuses nos devem
Mas são os homens que se inventam
Em cada dádiva de amor rebelde
E liberdade

E quando um Povo sofre (ou se liberta)
É toda a Humanidade!…

Manuel Veiga




quarta-feira, junho 13, 2018

AZUL MORDENTE...


Mordente azul e espiral acesa
Lume dos olhos e vertigem no tecer dos dedos.
Mágicas são as distâncias e os socalcos do tempo
A escorarem velados sonhos.

O corpo é dorso ofegante de quimeras
E o cavalgar indómito dos mostos
Frutos na extensão das margens
E lábios murmúrio de água.

Dias de espera no latejar do sangue
E prece muda.

E vorazes são os percursos
Na modulação das formas. E no registo
Pendular dos dias.

E na língua. E no palato das palavras
Deglutidas. E nos murmúrios.


Manuel Veiga