segunda-feira, agosto 31, 2015

PAISAGEM ÍNTIMA...


Inebriante a oculta linguagem dos lugares
E as pequenas coisas que iluminam
As veredas. E o polifónico canto
Que se liberta do regato
E o raio de sol preso
Em timbres de luz
E sombra...

A paisagem é agora corpo de mulher
Em impudícia fendido. E exposto. Passagem íntima.
Águas subterrâneas em circuito de Eros.
Prazer e bálsamo. Fusão de água primordial
E a pele sedenta...

Ou talvez a paisagem se fixe somente
No elegante vime a desdobrar-se em cálida solicitude.
Mulher ainda no porte. E no doirado fulgor
De abelhas e insectos no remansoso
Cair da tarde...

Ou seja o mergulho de crianças leves. E breves.
Em pagã floração de vida.

Ou talvez a paisagem seja apenas a toalha alva
Onde a palavra tomba. Solta. E se aninha (migalha inesperada)  
O sortilégio. Pássaro descuidado
Em voo tardio. Como Fénix...

Manuel Veiga


sábado, agosto 22, 2015

Água Sobre Ondas Virgens



Solitária escrita de teus braços
Água sobre ondas virgens. Ainda.

E a descoberta do infinito manto de nada.
E o prazer íntimo. E a inebriante
Sensação de tudo...

Nada nos pertence, contudo. Ávido olhar
Sobre o grão de areia. Que somos.
E a cálida brisa no rosto.
Apenas.

Efémera a vida,
António.

Manuel Veiga.
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Breve, breve... Vou ali, já venho!
Beijos e Abraços.

sexta-feira, agosto 21, 2015

Deambulações sobre RENÉ MAGRITTE



                  Encruzilhada de todos os caminhos                  
                  Vieste com tua irmã. As duas de rosto vendado
                  Como incógnitos amantes celebrando Magritte...

                  Estilhaço os vidros para que a paisagem
                  Ocupe todo o espaço. Corpo anjo negro de mim
                  Suspenso na ponte dos dias e da memória...

                  Perdura o abandono dos dedos. E o feitiço da lua
                  Sobre a copa dos pinheiros. Serenidade do corpo distendido...

                  Multidão esvoaçante sobre os telhados. Agora.

                  Vértice os seios perfumados de azul...

                  E soberba a luz faminta do olhar da fera
                  Indiferente ao drama - apenas vida na espera!
                  Fogo consentido de fêmea. Ao longe adivinhada...

                  Geometria de almas dispersas!

                  Manuel Veiga