sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Estreita Fronteira...


Palavras além da meta e águas-vivas
Que o poeta se joga nos limites
Do Nada.

Estreita fronteira
Entre a verdade sonhada
E a maçã colhida. E o perfume dela.

E nessa azáfama
De “bicho alado” se desbasta a sombra
E se colhe a cor em que o poema
Se enreda.

E se entardece.  


Manuel Veiga

terça-feira, fevereiro 21, 2017

FESTIVO FREIXO e Sua Sombra


Hoje a várzea e sobre o rio o festivo freixo e sua sombra
E o cantar do melro no amarelo doirado do sol em fim de dia
E esta pedra no inamovível tempo em que me sento...

Nem sequer a melancólica aragem, nem o restolhar da memória
Como insecto em flor. Nem o mel silvestre da infância.
Nem o vime. Nem a aurora do sonho. Nem o cântico nas igrejas...

Apenas o alvoroço tardio. E esta pedra absurda no caminho
Como trono. E meus dedos desfiando contas. E o mistério
Inaudito das palavras. E o perfume da dor em cada ausência...

Fenecem grinaldas. Que as cores são apenas nevoeiro
Dos sentidos. Agora o vinho é espessura em bocas de desejo
E o corpo é porto. Ardendo. Como lava em que me extingo.

Manuel Veiga