segunda-feira, agosto 13, 2018

POSTAL DE FÉRIAS...


No âmago da palavra
Uma tensão muda. Que se liberta
Flor e pétalas
De sol

Solstício. Ou talvez um ensaio de cores
Rebeldes que se esquivam
Na fluência da paisagem
E se inaugura

Timbre de harpa
Nas salivas. Cântico
De maduras uvas a desfazer-se
E peregrinas
Bocas…

Pagãos os dedos
Rubor os sulcos...

E os corpos!


Manuel Veiga



segunda-feira, agosto 06, 2018

DULCÍSSIMAS ÁGUAS


Serenos correm os rios e com eles
As tumultuosas águas se enternecem e se dobram
Na plácida hora. Nada neste estio
Se agita para além do sonho
E do sobressalto do sangue
Em louvor dos afluentes:
Sons que distantes
Celebram os percursos
Da memória
Incendiada…

Sou este percurso de sílabas
De um alfabeto inventado
Em que me digo nesta vertigem
E nos inaudíveis sons
Que respiro no alvoroço
Das margens…

E nesta torrente de serenas emoções
E dulcíssimas águas…


Manuel Veiga


quarta-feira, agosto 01, 2018

FLOR DE MEL...


Cálidos os afectos perdidos
E seu roteiro de ausência
Nada os prende e apenas
A alma os colhe.

E quando chegam como nuvem
Iluminada ao sol poente
São ténue carícia, breve
Agitação da brisa

A esvoaçar. Ferida que se abre
E mede a nostálgica alegria
De ser e não ser. Ardor
Que desmaia e flor de mel.


Manuel Veiga