quarta-feira, outubro 23, 2019

JOGO DE AFINIDADES...


Jogo de afinidades e transparências
A dissolver a inóspita presença
Das limalhas. Decantação
Dos dias e flor dos lábios
A arder gloriosa
Na subtil dádiva…

Flor ainda!

Rosto e delicadas formas
No bailado da espera
A acender os olhos
E a soltar o frémito
E o cume…

E o alvoroço
Dos sentidos…

Já não flor – fio de lume!


Manuel Veiga



sábado, outubro 19, 2019

NA MINHA CIRCUNSTÂNCIA ...


No pórtico da Lonjura e da Distância
Onde a Palavra germina – febre e fio de água!
E o grão de areia explode – quase-nada!

E as esferas se movem. Surdas.
Frias e eternas. E absurdas em sua eternidade...

Nesse indefinido lugar onde todos os possíveis
Se resgatam. E outros tantos colapsam.
Sem memória que os diga.
Nem sobressalto
Que lhes valha...

Nessa tensão desesperada entre a euforia do Ser
E a neutra alvura do Nada...

Nessa oculta razão das coisas
Em que – dizem-me – os deuses se recriam
Em interminável jogo de dados...

Nessa tatuagem dos dias
Em que apenas os nomes são presença
E a árvore da vida... 

Aí nesse fogo sem lume
Esculpo minha circunstância – de palavras e cinza!
E me (des)digo – água clara.


Manuel Veiga


sexta-feira, outubro 18, 2019

SEM TÍTULO...



1.
Enamoramento das palavras
No interior do poema. E a subversão
Do Mundo…

2.
Cadências mudas. E formação
De concordâncias. E a iminência de sílabas
E das salivas…

3.
Olhos nos lábios a desenharem
A desordem dos sentidos, E a orla do verso
E do reverso...

4.
Ninfas nuas e faunos
Em seus folguedos. E cítaras nos dedos.
Pagãos que somos...

5.
E puros...


Manuel Veiga