quinta-feira, outubro 19, 2017

Júlio Pereira - "Celtibera" do disco "Os Sete Instrumentos" (LP 1986)

Nos Esteios do Sangue


Nos esteios do sangue e nas telúricas vozes
Que em nós habitam.
Nas profundas águas
E no altar das rochas
Tresmalhadas
No zénite do sol
E nos pomares e
Nos veios
Líquidos.

E nos cheiros da terra lavrada
E nas marcas da vara tempo
E nos nossos rios.

E nos lábios ressequidos
E na sede de mil anos
A acicatar os passos.

E nos lutos. E no silêncio dos sinos.
E no estrondo das festas
E nos arraiais festivos
E nas antigas
Danças.

E no corpete das raparigas
E nos lenços bordados
E nas gargalhadas
E nas brigas.
E nos dias ardidos
E naqueles outros pregoeiros

Te nomeio, Terra, Língua, Mátria
E te venero
E te guardo
E te digo

Gesto em que me rendo
E me entrego
E deslasso
Meu olhar
Altivo.

Manuel Veiga

"Caligrafia Íntima"
POÉTICA Edições - Maio 2017

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Porque sim!
E porque alguns amigos mostraram desejo nisso
Está reaberta a caixa de comentários!

Sejam bem vindos! De novo...


segunda-feira, outubro 16, 2017

INUMANOS DEDOS...


Em cada ausência uma dor viva
Um adeus que se prende num gesto de alvorada
Uma persistência ou teima
Uma duna ou um deserto a clamar
Mais além e a miragem …

Em cada ausência um rosto que se recria
Inumanos dedos a percorrer
As faces da memória
E os ecos …

Como palavra acesa
A mutilação dos corpos…


Manuel Veiga