sábado, maio 23, 2020

DESALINHADA FLOR...



Desalinhada flor assaz perdida
Em busca das cores que melhor a digam

E em demiúrgica ousadia
O poeta a soletrar a tela
E a derramar-se
Em avidez lume

E a colorir de azul
E mel o colapso das formas
E a inaugurar as pétalas
Ora perfumadas

E luz perene.
E o cântico dos cânticos
E a murmurar urgências
E a recolher ecos
De um tempo
Breve …

Manuel Veiga


15 comentários:

" R y k @ r d o " disse...

Sedutoramente POÉTICO.
.
Bom fim de semana

Cidália Ferreira disse...

Um poema simplesmente belo! :)
-
Será loucura certamente ...

Beijos e um excelente fim de semana! :)

São disse...

Belo poema e linda canção

Beijinho, amigo, bom domingo

Maria João Brito de Sousa disse...

Deixo-me embalar...

Abraço, Manuel.

Jornalista Douglas Melo disse...

Manuel,
Muito me agradou este teu poema!

“...E a recolher ecos
De um tempo
Breve...”

Estamos todos neste tempo breve, esperando um Mundo melhor e sem este vírus letal.
Um abraço e cuide-se!!!

Olinda Melo disse...


Fiquei presa nas palavras do Poeta, nesta pintura cuidada
e inspirada, um maravilhoso acto de criação.
Flor imperfeita, assaz afortunada pela atenção que lhe é dedicada.
E os últimos versos, que fecham de forma gloriosa este Poema, atestam
bem a excelência desta escrita:

E luz perene.
E o cântico dos cânticos
E a murmurar urgências
E a recolher ecos
De um tempo
Breve …

Manuel Veiga, o tempo breve torna-se eterno através do seu talento.

Abraço.

Olinda



José Carlos Sant Anna disse...

Caro poeta,
também me deixei embalar por este caminho que se delineia na construção poema. Na passagem inicial disfórica e na progressão posterior para que o poema se faça num operoso trabalho de linguagem.
Um abraço, caro Manuel!

Teresa Almeida disse...

"E o cântico dos cânticos
E a murmurar urgências
E a recolher ecos
De um tempo
Breve … "

Um poema assim construído, é de quem lhe soube moldar as formas. É de quem lhe soube imprimir luz perene.
Gosto imenso.

Um beijo, meu amigo Manuel.

Graça Pires disse...

Foste inspirado pelo "Cântico dos Cânticos" para te derramares em avidez de lume e luz perene… Tão belo!
Uma boa semana meu Amigo.
Um beijo.

Jaime Portela disse...

Desalinhada flor, mas alinhado poema...
Excelente, gostei muito.
Caro Veiga, uma boa semana.
Abraço.

Emília Pinto disse...

Começo por te agradecer a linda canção, lembrando o tempo das cerejas e depois vamos ao belo poema onde as flores tentam alinhar-se da melhor forma, já que estamos na estação que lhes pertence; há sempre um ventinho que desalinha a flor vaidosa, um pintor que, de teimoso quer colorir de azul uma outra flor já descontente por ter perdido algumas pétalas e assim decorre a vida no jardim, também com preocupações;sabem as flores que a vida é curta e é preciso aproveitar cada minuto deste tempo; há gente precisando de suas cores, da sua vivacidade, da sua luz. É urgente, Manuel que aprendamos a admirar as flores, mesmo quando já desalinhadas e uma ou outra pétala caída no chão. Espero que estejas bem, Amigo e obrigada pelo belo momento
Emilia

Teresa Durães disse...

Muito bom!

Agostinho disse...

O tempo é breve mas a elevação nas asas do ar quente supera a abstinência dos avaros das emoções.

Como sempre armado, da cabeça aos pés, pela marca registada do Poeta.
Abraço.

Tais Luso de Carvalho disse...

Manuel, meu amigo, agora temos a obrigação de pensar no tempo, no valor das coisas simples, na família e no que nos traz alegria. Esquecer tudo o que não vale a pena. Podemos ver nesse espaço de tempo - que estamos atravessando -, o quanto são importantes os verdadeiros valores e o quanto estamos pensando no tempo, já um pouco apreensivos.
Belo poema, temos urgência, sim, em viver o tempo que nos foi concedido.
Beijo, amigo, uma boa semana!

E luz perene.
E o cântico dos cânticos
E a murmurar urgências
E a recolher ecos
De um tempo
Breve …

© Piedade Araújo Sol disse...


desalinhada
talvez

mas bem alinhavada
o cântico se faz
suave
languido
doce
breve
muito breve


como a vida!

:)

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